6.3.10

Nação Zumbi: Da lama ao (zine) KAOS, entrevista em Bauru.

Eu estava no terceiro ano de jornalismo na Unesp-Bauru, e tocava o zine Kaos! com meu irmão. Tínhamos um site(criado pelo Thiago Montanari) e uma edição impressa- ou melhor, xerocada -, que sempre trazia uma entrevista musical nas páginas centrais. Em 2004, a Nação Zumbi veio tocar no Sesc com o dançarino Nelson Triunfo. Eu e o amigo Eduardo Moraes fomos até lá entrevistar os caras. Conseguimos falar com os percussionistas Toca Ogam e Marquinhos, que estavam, digamos, no “caminho do Blunt of Judah”. A entrevista chapada não ficou 100%(tinha um monte de estudante querendo entrevistar os caras pra vários trabalhos e jornaizinhos), mas resolvi ressuscitá-la aqui ao lado de outras entrevistas do KAOS que já republiquei.

***

Toca Ogam no caminho do Blunt of Judah

O dia do trabalhador(01/05) foi comemorado com um dos melhores shows já vistos em Bauru-SP. Dez anos após tocarem no Sesc local pela primeira vez(acompanhando Chico Science), a Nação Zumbi voltou quebrando tudo em uma performance eletrizante. Contaram ainda com a participação especial de um dos primeiros ativistas do hip hop; Nelson Triunfo. Após o show, Fred Di Giacomo e Eduardo Moraes participaram de entrevistas com os artistas, de onde voltaram com hip hop, turnês internacionais e fotos inspiradas de Renato Bueno.

Vamos começar falando da turnê. Onde vocês tocaram no ano passado(2003)?
Marquinhos: A gente saiu do Brasil e tocou num festival conhecido como Omex, tocamos em Sevilha, né, Toca?
Toca Ogam: Sevilha, fizemos Madri também e outras cidades da Europa....

E os discos, foram lançados lá fora?
T.O. :
Sim, o “Rádio S.amb.A.” foi lançado lá, o “Afrociberdelia”...
M: O “Nação Zumbi”...

Como é que o público reage lá?
T.O.:
Quando você vai tocar pra gringo, nas 5 primeiras músicas eles começam só a balançar a cabeça, mas depois eles vão se soltando e começam a dançar, gritar. Lá eles fazem muita ligação da gente com o Olodum.

O que você acha do potencial de misturar a música tradicional com a música eletrônica?
T.O.:
Misturar todo mundo mistura, o negócio é misturar e dar um bom gosto. Não pode ficar amargo.
M.: Misturar e criar um som que continue na estrada não é fácil. Cada dia estão surgindo coisas novas, ideias novas. Você tem que ficar ligado. Ouvindo música, lendo muito, pra poder fazer um trabalho legal. O mercado hoje no Brasil é muito difícil.


Vocês têm uma preocupação social nas letras, o que acham da explosão do movimento hip hop, dos Racionais?
T.O.:
Racionais eu acho foda. Eles têm mesmo que falar, é o trabalho deles.
M.: Eles falam das coisas que acontecem realmente na periferia, na cidade. Eu acho isso maravilhoso.
Como está a cena de Recife hoje?
M.:
Rolou o Abril Pro Rock agora, vocês ficaram sabendo, né? Não deu pra gente estar lá, mas sempre têm festivais. A gente mora em Peixinhos e tem um movimento grande lá. A gente faz festa e está sempre movimentando o bairro. A coisa no nordeste está crescendo cada vez mais, estão aparecendo bandas novas.

Tem bandas novas legais?
M.:
Tem alguns caras que a qualidade da música... Não é só fazer música por moda, sabe? Nego vê a gente tocando, fazendo som e trabalhando pelo mundo e acha que vai ser legal fazer isso, mas não é só isso. Tem que ter a vibe, o groove...

T.O.(interrompendo): O comércio da música é muito grande. Hoje qualquer um grava e eu acho que não é por aí. Tem que ter um respeito pra se fazer música. Tem banda que tem um puta bom trabalho, mas não tem condições, que toca com guitarra emprestada. Você tem que ter coragem, encarar, e no final têm 10.000 nego te aplaudindo. Foda-se o resto. Tem várias bandas que vão atrás de rádio, pra que ir na rádio? Deixa a rádio ir até você.


2004

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