31.12.09

Nascimento - Cecilia Di Giacomo

Cecília Di Giacomo tem feito experiências mesclando pintura, colagem, escultura e poesia. O quadro acima foi pintado em 2006.

Um quadro - Cecilia Di Giacomo


"Como o gato de Alice
Só metade existe
Um enigma triste?"

Cecilia Di Giacomo é socióloga, pinta, mas também escreve poesia e esculpe.

Em cartaz - Bárbara dos Anjos

Se um dia eu fosse resumir nosso amor, seria em forma de trailer
Como uma chamada desses filmes de casal, meio cabeça, meio banal
Uma edição lenta, algumas boas piadas e muitos diálogos de impacto
Tudo com uma trilha de bossa nova em inglês, editadas num compacto

Nosso amor não é um clipe frenético de uma banda indie e decadente
Com beijos confusos, rápidas imagens recortadas
E poucos momentos de amor entre brigas mal consertadas.

No final deste filme que sou mais que atriz
Quero um final agridoce: alegre mas meio em aberto
Só para provar que a vida é uma eterna escolha em ser feliz.

Mesmo tendo passado muito tempo da faculdade na biblioteca lendo clássicos da literatura, a gaúcha Bárbara dos Anjos não tem vergonha de assumir que adora comédias românticas e músicas da Britney Spears.

Tão complicada quanto a mentira e o amor - Eloisa G

Fotos de Eloisa G



Era uma ruela qualquer, numa cidadezinha despretensiosa qualquer, onde estávamos quando eu pedi pra ele parar o carro. Sentia vontade de caminhar ao lado dele ao menos uma vez que fosse. Nunca havíamos caminhado juntos, lado-a-lado como um casalzinho de namorados pois sempre que nos víamos estávamos caminhando em direções opostas, ou sempre fingiamos estar. Cruzavamos, trombavamos... Nunca numa sintonia simples de simplesmente caminhar... Juntos. Quando despíamos nosso orgulho e desabotoávamos nossa censura, não havia tempo para caminhada... Não havia caminho, nem havia tempo. O sol poderia ir e voltar quantas vezes quissese que nós continuaríamos a olhar um ao outro incansavelmente como se fosse uma primeira troca de olhar num ínfimo instante de desejo. Os beijos eram sôfregos e os abraços desesperados, as pernas, tantas vezes bambas eram fortes e firmes, e o corpo se tornava um obstáculo entre duas almas querendo se fundir, enquanto o coração latejava, dilacerando o futuro num misto explosivo de dor e felicidade!
Ah! Como eu posso escrever sobre duas almas querendo se fundir, se na verdade era só a minha iludida que tentava me abandonar achando que teria para onde ir. Não teria, não havia nele espaço para nada além de seu egocentrismo, não havia nele espaço para mim, não havia nele espaço para meu amor, não havia nele espaço para amar.
Eu olhava para as casas daquela maldita ruazinha e tentava imaginar quem morava nelas, quem as havia construído e com que intenção... E tentava imaginar se aquelas pessoas, juntas sob o mesmo teto, eram ou algum dia foram tão felizes quanto eu era naquele momento, debaixo de teto algum.

Eloisa G. um dia aprendeu que cada um dá o que tem no coração e cada um recebe com o coração que tem.


=>Faça como ela e mande seus textos para clube.ideias@gmail.com

Feliz C*



Idéia da "instalação" de Fred, executada por Gabriel Gianordoli, gravada , editada e idealizada como vídeo por Thiago Lacaz.
Mas cu não tem acento, diz você. E Oswald de Andrade responde:

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

30.12.09

Apologia aos prazeres do fumo - 10ª sessão do Clube de Idéias

Penápolis, 25 de janeiro de 2009

Professores associados: Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.


O assunto é fumaça: Cohiba Lancero, Trinidad, Angelina, Toscano, Double Corona, Dona Flor, Jewels,...

Os prazeres do fumo! As raízes americanas, indígenas, diz Veloso.

O professor Machado afirma que a nicotina melhora a memória e o aprendizado. A nicotina, presente nas folhas de fumo, aumenta a transmissão de impulsos nervosos no hipocampo, região do cérebro responsável pela memória e aprendizado. A nicotina reforça as conexões sinápticas no hipocampo. E também, intervém o professor Teixeira, é preciso lembrar que a nicotina está ligada à excitação (estado de alerta), à atenção e também ao processamento rápido de informação.

Apesar das nossas reuniões acontecerem sob a fumaça de deliciosos charutos é necessário lembrar, diz Vladimir, que o fumo provoca doenças e a morte. Seus efeitos intoxicantes ocorrem a médio e em longo prazo, de forma cumulativa, encurtando a vida dos fumantes. O cigarro provoca câncer no pulmão, na boca, na faringe, na laringe e na bexiga, enfisema, infarto, bronquite e derrame cerebral. Mas como dizia Hannah Arendt, uma grande fumante e filosofa, “recuso-me a viver para minha saúde!”

O fumo traz risco à saúde não resta dúvida, afirma Teixeira, mas o moralismo que existe por trás das campanhas contra o fumo, o comportamento dos indivíduos sob o efeito da propaganda (antes era para fumar, agora é para rejeitar o tabaco e os fumantes), nos leva a outros receios. Logo, além do fumante, outros alvos serão criados na cruzada moralista e fascista da sociedade da beleza e saúde total. Dos belos e ricos corpos malhados, plasticados, etc. O próximo poderá ser o obeso, o feio, o geneticamente errado. É preciso cuidado quando se cerceia a liberdade dos indivíduos.


Vladimir informa que em 2001 uma associação em defesa dos direitos dos tabagistas, a Libertas, publicou o decálogo de um bom fumante:

1- Fume, mas não muito

2- Desfrute do cigarro durante toda a vida

3- Não fume até o filtro

4- O cigarro é um símbolo de amizade e descontração

5- Do cigarro, não fume somente o tabaco

6- O prazer e a descontração também têm limites

7- Proibido fumar?

8- Fumar é coisa de homens e mulheres

9- Apague bem o seu cigarro

10-O cigarro ajuda a pensar



Cruzada social contra o fumo, não é novidade, diz Machado. A Igreja combateu o tabaco desde o seu aparecimento na Europa no século XVI, porque o associava ao prazer corporal e mundano e a dissolução moral dos costumes, pois afinal era um hábito dos nativos da América. Chegou a excomungar vários fumantes. Nos EUA os grupos conservadores empreenderam campanhas para erradicar o cigarro desde o início do século 20.

Freud, que segundo alguns fumava cerca de 20 charutos por dia, o que ajudou a desenvolver o câncer no maxilar, que o levaria a morte, entendia o tabaco como um instrumento que servia de apoio para atravessar a vida. Ele observou que “a vida, tal como nós a encontramos, é muito dura e disso decorrem descontentamentos e dores. Não passamos sem paliativos, substâncias intoxicantes que nos tornam insensíveis. Elas são imprescindíveis.” (“O mal-estar da Civilização”). Por isso que o número de fumantes aumenta quando há guerras, depressões, desemprego e instabilidade social. O cigarro ajuda a humanidade a enfrentar o medo, a angústia e a incerteza. Freud reconhece o caminho do vício e acabou se entregando por completo a ele visto que descobriu a essência humana e se decepcionou.

Existe um aspecto social que gostaria de lembrar, diz Vladimir, o fumo no Brasil historicamente sempre gerou renda para os pequenos proprietários. Resolveríamos o problema de produtividade das terras fruto da reforma agrária e tornaríamos os brasileiros mais ágeis no processo de pensamento com doses homeopáticas de nicotina. Falta aos brasileiros essa ligeireza do pensamento. Exportaríamos muito fumo, mais uma opção para os agronegócios.

Mais uma vez o Vladimir está delirando, diz Figueiredo. Deve ter tragado todos os Cohiba que ganhou dos seus companheiros cubanos.

Encerrando: Compay Segundo (grande músico cubano) fumava aos 94 anos três charutos por dia. Fernando Pessoa escreve em Tabacaria: “Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.”

Jáder Marcos Paes Correto da Rocha

28.12.09

Charles Baudelaire - As Flores do Mal

-Augusto dos Anjos, poeta da ciência e dos vermes

Lesbos

Mãe dos jogos do Lácio e das gregas orgias,
Lesbos, ilha onde os beijos, meigos e ditosos,
Ardentes como os sóis, frescos quais melancias,
Emolduram as noites e os dias gloriosos;
Mãe dos jogos do Lácio e das gregas orgias;

Lesbos, ilha onde os beijos são como as cascatas,
Que desabam sem medo em pélagos profundos,
E correm, soluçando, em maio às colunatas,
Secretos e febris, copiosos e infecundos,
Lesbos, ilha onde os beijos são como as cascatas!

Lesbos, onde as Frinéias uma à outra esperam,
Onde jamais ficou sem eco um só queixume,
Tal como Pafos as estrelas te veneram,
E Safo a Vênus , com razão, inspira ciúme!
Lesbos, onde as Frinéias uma à outra esperam,

Lesbos, terra das quentes noites voluptuosas,
Onde, diante do espelho, ó volúpia maldita!
Donzelas de ermo olhar, dos corpos amorosas,
Roçam de leve o tenro pomo que as excita;
Lesbos, terra das quentes noites voluptuosas,

Deixa o velho Platão franzir seu olho sério;
Consegues teu perdão dos beijos incontáveis,
Soberana sensual de um doce e nobre império,
Cujos requintes serão sempre inesgotáveis.
Deixa o velho Platão franzir seu olho sério.

Arrancas teu perdão ao martírio infinito,
Imposto sem descanso aos corações sedentos,
Que atrai, longe de nós, o sorriso bendito
Vagamente entrevisto em outros firmamentos!
Arrancas teu perdão ao martírio infinito!

Que Deus, ó Lesbos, teu juiz ousara ser?
Ou condenar-te a fronte exausta de extravios,
Se nenhum deles o dilúvio pôde ver
Das lágrimas que ao mar lançaram os teus rios?
Que Deus, ó Lesbos, teu juiz ousara ser?

De que valem as leis do que é justo ou injusto?
Virgens de alma sutil, do Egeu orgulho eterno,
O vosso credo, assim como os demais, é augusto,
E o amor rirá tanto do Céu quanto do Inferno!
De que valem as leis do que é justo ou injusto?

Pois Lesbos me escolheu entre todos no mundo
Para cantar de tais donzelas os encantos,
E cedo eu me iniciei no mistério profundo
Dos risos dissolutos e dos turvos prantos;
Pois Lesbos me escolheu entre todos no mundo.

E desde então do alto da Lêucade eu vigio,
Qual sentinela de olho atento e indagador,
Que espreita sem cessar barco, escuna ou navio,
Cujas formas ao longe o azul faz supor;
E desde então do alto da Lêucade eu vigio

Para saber se a onda do mar é meiga e boa,
E entre os soluços, retinindo no rochedo,
Enfim trará de volta a Lesbos, que perdoa,
O cadáver de Safo, a que partiu tão cedo,
Para sabe se a onda do mar é meiga e boa!

Desta Safo viril, que foi amante e poeta,
Mais bela do que Vênus pelas tristes cores!
- O olho do azul sucumbe ao olho que marcheta
O círculo de treva estriado pelas dores
Desta Safo viril, que foi amante e poeta!

- Mais bela do que Vênus sobre o mundo erguida,
A derramar os dons da paz de que partilha
E a flama de uma idade em áurea luz tecida
No velho Oceano pasmo aos pés de sua filha;
Mais bela do que Vênus sobre o mundo erguida!

- De Safo que morreu ao blasfemar um dia,
Quando, trocando o rito e o culto por luxúria,
Seu belo corpo ofereceu como iguaria
A um bruto cujo orgulho atormentou a injúria
Daquela que morreu ao blasfemar um dia.

E desde então Lesbos em pranto lamenta,
E, embora o mundo lhe consagre honras e ofertas,
Se embriaga toda noite aos uivos da tormenta
Que lançam para os céus suas praias desertas!
E desde então Lesbos em pranto lamenta!

As Flores do Mal

Este clássico, do tipo que parecem várias obras numa só, é composto por 159 poemas divididos entre “Ao Leitor”, “Spleen e Ideal”, “Quadros Parisienses”, “O Vinho”, “Flores do Mal”, “Revolta”, “A Morte” e “Poemas acrescentados na edição póstuma”. Todas poesias são escritas em francês, com exceção de “Franciscae Meae Laudes”(latim) e de um tradução do inglês omitida na edição brasileira(Le Calumet de Paix).

Percussor do simbolismo e chamado de “poeta da modernidade”, Baudelaire traz ainda em seu livro, de 1857, ecos do ultra-romantismo da geração “Mal-do-século” e vestígios do Parnasianismo em suas descrições de obras de arte e hinos à beleza, além do rebuscamento das rimas. A oposição “luz/trevas”, “Deus/Satã”, “morte/vida” é constante. Alguns poemas são descrições de quadros(Baudelaire foi crítico de arte), muitos têm referências à mitologia grega e a passagens bíblicas, além de referências literárias variadas. Gatos, vermes e vampiros são figuras constantes. 3 dos “Quadro Parisienses” são dedicados ao escritor Victor Hugo.

A Negação de São Pedro

O que há de fazer Deus do fluxo de heresias
Que sempre vai subindo às suas mansões brandas?
Tirano a se saciar de vinhos e viandas,
Dorme ao doce rumor das blasfêmias mais frias.

Os soluços dos que foram martirizados
São uma sinfonia embriagadora e augusta,
Pois, apesar do sangue que a volúpia custa,
Jamais deles os céus se sentiram saciados!

- Recorda-te, Jesus,da cena do horto, quando
Imploravam a orar os teus joelhos escravos
Ao que no céu se ria do rumor dos cravos
Que em tua carne punha algum algoz infando;

Quando viste escarrar na tua divindade
A crápula, a ulular, da guarda e do bordel,
E sentiste o amargor do vinagre e do fel
Na boca em que vivia a imensa humanidade;

E quando a lentidão de teu corpo partido
Teus braços alongava e teu suor e teu sangue
Eram destilação de tua fronte langue,
E quando foste a cada um em alvo erigido,

Estavas a pensar no dia de recamos
Em que vieste a cumprir a promessa eternal,
E pisavas, montando o mais meigo animal,
Caminhos que eram luar de flores e de ramos,

Em que, o teu coração imenso de esperança,
Para expulsar os vendilhões foste violento
E no teu templo enfim? Ah, o arrependimento
Teu flanco não entrou mais fundo do que a lança?

- Por certo eu sairei, quanto a mim satisfeito
Deste mundo em que ao sonho a ação não é associada:
Possa eu usar da espada e morrer pela espada!
- Pedro negou Jesus... e foi muito bem feito!

Charles-Pierre Baudelaire (Paris, 9 de Abril de 1821 — Paris, 31 de Agosto de 1867) foi um poeta e teórico da arte francês.

-Leia "Um Visão Memorável", de William Blake


O Vampiro

Tu que, como uma punhalada,
Entraste em meu coração triste;
Tu que, forte como manada
De demônios, louca surgiste,

Para no espírito humilhado
Encontrar o leito e o ascendente;
- Infame a que eu estou atado
Tal como o forçado à corrente,

Como ao baralho o jogador,
Como à garrafa o borrachão,
Como os vermes a podridão,
- Maldita sejas, como for!

Implorei ao punhal veloz
Que me concedesse a alforria,
Disse após ao veneno atroz
Que me amparasse a covardia.

Ah! pobre! o veneno e o punhal
isseram-me de ar zombeteiro:
"Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro.

Ah! imbecil - de teu retiro
Se te livrássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!"



-Quer ler mais poesias?

26.12.09

Leila Diniz - Musas com cérebro

-Fotos das nossas musas


"Como diz Leila Diniz, homem tem que ser durão..." era assim que Erasmo Carlos a cantava no seu samba-rock "Coqueiro Verde".

E Leila Roque Diniz (Niterói, 25 de março de 1945 — Nova Délhi, Índia, 14 de junho de 1972) não estava só nas músicas. Estrelava novelas e filmes, estampava capas de revista e preenchia seus miolos com entrevistas bombásticas, como a famosa que deu ao Pasquim em 1969. Nessa ocasião cravou a frase: "Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra."

Odiada pelas classes mais conservadoras da época, foi um símbolo da libertação feminina nos anos 60, conquistando atenção geral tanto pelas suas formas, quanto por suas ideias vanguardistas.

-A nudez de Simone de Beauvoir

25.12.09

Hoje é dia D(Meu Canto)

Escrevi essa música em janeiro de 2006, no último dia em Penápolis, antes de me mudar para São Paulo e começar a trabalhar como jornalista. Ela me lembra o Natal.

Hoje não tem choro de criança
Nasceu um raio de esperança
Hoje não vai ter futebol

Dei oi pro vizinho e abri um vinho
Não me sinto mais um estranho no ninho
Quando saio na rua, não estou mais sozinho

Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver, o menino


Moleques pediram manga no meu quintal
Calor de rachar, mas isso é normal
Hoje não tem batida policial

Hoje não tem pais brigando
Não tem crianças chorando
Hoje não há dor em nenhum canto

Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver, o menino


Hoje não tem batucada, hoje não vai chover
Velhos decidiram não vão morrer
Hoje é dia do santo descer

Charles saiu da cadeia
As crianças vão dormir de barriga cheia
As pessoas pararam pra ver a lua cheia

Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver, o menino


Amanhã pagam se as dívidas
Amanhã velam-se os mortos
Amanhã choram-se as perdas
Amanhã vai se outro dia

Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver, o menino


Eu canto minha casa, meu canto
Meu bairro, meu santo
Eu canto: pra você viver

Hoje é dia de ver
Hoje é dia D
Hoje é dia de ver o menino nascer

24.12.09

The Damned - "New Rose/Love Song"

-Conheça mais bandas da geração 77 do punk inglês

"New Rose"


-Ouça "Kiss me deadly" do Generation X

O The Damned acumula um monte de marcas históricas. Não só são a primeira banda do punk inglês a lançar um single - "New Rose", regravada pelo Guns 'n' Roses - , mas também foram o terceiro grupo punk a gravar um disco.(Depois de Ramones e de Eddie and the Hotrods) e deram origem ao "rock gótico" do Cure e do Bauhaus.

Formada em Londres, em 1976, a banda contava em sua formação clássica com o baterista Rat Scabies, o baixista Captain Sensible, o vocalista Dave Vanian e o guitarrista Brian James. Gravaram "Damned, Damned, Damned" e "Music for Pleasure" com essa formação e depois de algumas tretas voltaram apenas com Sensible(agora na guitarra) e Dave Vanian. Vanian é famoso pelo timbre da sua voz e por sua maquiagem e roupas, inspiradas em filmes de horror.

Nos anos 80 o grupo foi se distanciando da sonoridade punk, chegando a incluir teclados em suas gravações. Estão em atividade até hoje.


"Love Song"


-Ouça o The Jam tocando "In The City"

21.12.09

EZLN e Zapatismo: 8ª sessão do Clube de Ideias


O professor Teixeira assistiu ao filme “O Violino” de Francisco Vargas, fazendo grandes elogios para a fotografia, enredo e principalmente por retomar o tema da luta campesina no México.

Machado lembrou que em 1º de janeiro de 1994 levantava-se em Chiapas (México) a população camponesa indígena contra o Estado mexicano. Era o EZLN (Exército zapatista de libertação Nacional). Suas reivindicações: trabalho, terra, moradia, comida, saúde, educação, autonomia, liberdade, democracia, justiça e paz.

No mesmo ano começava a funcionar o NAFTA, afirma Vladimir. Foi a resposta do povo mexicano ao neoliberalismo que desmantela as redes de proteção social. Em Chiapas os camponeses viviam um estado de servidão permanente, reagindo às propostas de modernização que não levam em conta o homem. Era a vontade do sistema financeiro que globalizava a sua ação, devorando as economias periféricas.

O Subcomandante Marcos, líder zapatista, fala em 1998 num manifesto, sobre o final da guerra fria, por ele chamada de terceira guerra, diz o professor Teixeira. E do surgimento da 4ª guerra mundial, que utiliza uma nova arma: a bomba financeira, que destrói a polis e inflige à morte, o terror e a miséria aqueles que nela habitam. As hiperbombas financeiras servem para atacar os territórios (estados nações)

O Subcomandante Marcos usou o velho discurso revolucionário (“Porque combatemos”) para criar a sua estrutura de resistência ao abandono social do povo camponês, sem ser camponês, afirma Figueiredo.

Mas deu voz para os miseráveis que reagiam através da velha violência delinqüente. Aí a coisa começa a preocupar, porque não é o marginal que se rebela cometendo delitos comuns devido a sua condição social. Mas é o grupo social oprimido amparado por uma causa, uma ideologia. Mesmo originária do velho discurso esquerdista, consegue aglutinar as massas.

Veloso recorda que em 1998, o movimento que já tinha grande repercussão internacional, inclusive porque usava a internet, obteve o apoio de José Saramago que escreveu um artigo afirmando: “quando, há seis anos, as alterações introduzidas na Constituição mexicana, em obediência à ‘revolução econômica’ neoliberal, orientada do exterior e impiedosamente aplicada pelo governo, vieram por termo à distribuição agrária e reduzir a nada a possibilidade de os camponeses sem terra disporem de uma parcela de terreno para cultivar, os indígenas acreditaram que poderiam defender os seus direitos históricos, organizando-se em sociedades civis (...) foram sucessivamente metidos na cadeia (...). Levantaram-se com algumas armas, mas levantaram-se sobretudo com força moral”

O governo mexicano reage desde o início tratando o movimento popular como uma ameaça a segurança nacional, desta forma milhares de indígenas foram expulsos de suas casas e das suas terras por serem simpatizantes ou não da EZLN.

Por onde anda o Subcomandante Marcos? Pergunta Figueiredo.

No ano passado informa Vladimir, ele esteve presente em um encontro em San Cristóbal de Las Casas, no estado de Chiapas, Sul do México, que reuniu 3.000 simpatizantes. A reunião, denominada I Festival Mundial da “Raiva Digna”, coincide com o 15.º aniversário do levantamento do EZLN. O encontro estabeleceu uma nova estratégia: é a “guerra contra o esquecimento”. Nesses últimos anos os zapatistas tem lutado para mudar o sistema político mexicano, tendo por objetivo revolucionário a criação de um novo país, o que não implica na utilização da luta armada necessariamente.

Trata-se de um belo sonho, diz Figueiredo, mas pouco pragmático, visto que o México é um país tão complexo como o Brasil. Na Revolução de 1910(México) os operários não estavam muito dispostos a dar apoio a luta campesina de Emiliano Zapata. A classe média mexicana tem outros planos e a elite é claro não partilha desse sonho. Existe também o crescimento dos narcotraficantes com gangues extremamente violentas, enfim a luta zapatista pode se esvaziar.

Por isso que foi criada a “guerra contra o esquecimento”, afirma Vladimir. Terra é sinônimo de poder, por isso a luta do EZLN é significativa por chamar a atenção para as questões políticas do México.

O prof. Figueiredo diz que o minifúndio resolveria a questão da luta pela terra, mas sobre o ponto de vista dos agronegócios o minifúndio seria eficiente para alimentar o mundo?

Veloso chama atenção para a vida, os costumes dos povos Chiapas que vivem realmente da terra, comem e só. Nós queremos consumir, modernizar, tornar mais produtivo, assim às vezes passamos com os tanques sobre aqueles que destroem nossa crença no progresso definitivo.

Teixeira retoma as observações sobre o filme de Vargas e conclui que lutar pela terra é muito mais que ser proprietário. Porque terra significa lar: língua, sons, ancestrais, a razão para existir. A terra é o morro, favela, o campo, a minha casa, o meu espaço, a minha liberdade.



Jáder Marcos Paes Correto da Rocha

20.12.09

ano 2012 - Sabrina Barrios

A arte é da designer de Santa Maria(RS) Sabrina Barrios. Sabrina mora em São Paulo, trabalha na Editora Globo, e já expôs seus trabalhos até em Nova York, chique né?

Além de Beatles de Rollings Stones, você encontra mais trabalhos dessa colarada no Flickr da moça.

19.12.09

Resenhas de Livros

Você encontra aqui toda as resenhas de livros publicadas neste blog.


Para facilitar sua busca aperte "Ctrl + F" e digite o livro ou autor que procura.

"1001 discos para ouvir antes de morrer", Robert Dimery

"Adoráveis Trapalhões, Os", Luis Joly e Paulo Franco
"Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, A", Eugen Herrigel
"Cartas na Rua", Charles Bukowski
"Clube do Livro, O", David Gilmour
"Conversas com Woody Allen", Eric Lax
"Coração Envenenado: Minha vida com os Ramones", Dee Dee Ramone e Veronica Kofman
"Elite da Tropa", Luiz Eduardo Soares, André Batista, Rodrigo Pimentel
"Esperando Godot", Samuel Beckett
"Flashbacks: Surfando no Caos", Timothy Leary
"Germinal, ", Émile Zóla
"Hamlet: O Príncipe da Dinamarca", William Shakespeare
"Jimi Hendrix: A dramática história de uma lenda do rock", Sharon Lawrence
"Livro dos Abraços, O", Eduardo Galeano
"Medo e Delírio em Las Vegas: Uma jornada selvagem ao coração do sonho americano", Hunther S. Thompson
"Memórias Inventadas - A Primeira Infância", Manoel de Barros
"Misto Quente", Charles Bukowski
"Onde vivem os monstros", Maurice Sendak
"Odisséia", Homero
"Pulp" - Charles Bukowski
"Revolução dos Bichos, A", George Orwell
"Sexus", Henry Miller
"Triologia Suja de Havana", Pedro Juan Gutiérrez
"Trópico de Câncer", Henry Miller
"Uivo, ", Allen Ginsberg
"Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas - Uma investigação sobre valores, Robert M. Pirsig"


-Leia alguns contos kaóticos, se tiver colhões

17.12.09

"O Leopardo" de Luchino Visconti: 7ª sessão do Clube de Idéias


Professores associados: Jáder, Machado, Vladimir, Teixeira, Figueiredo e Veloso.

Embriagados com o novo ano assistimos “O Leopardo” de Visconti, fumando “Dona Flor”, para fortalecer a nossa crença que as mudanças tardam, mas chegam. Carregando espectros , lembra Figueiredo, espectros que são o fardo histórico que acompanha os homens.

No filme é possível observar a decadência da nobreza italiana frente ao processo de modernização burguesa. A cena em que aparece a família de Don Fabrizio chegando a uma localidade do interior, cobertos de poeira quando assistiam a uma missa, parecem fantasmas da nobreza que não percebe que já morreu que é o seu fim.

O professor Veloso lembra à adesão ao movimento de unificação, de Tancredi, sobrinho do príncipe Fabrizio, rompendo com a tradição da nobreza, dos reinos e principados fragmentados, chegando a casar com uma burguesa. Mas a adesão de Tancredi não se explica só por isso, afirma Vladimir.

Tancredi não vê saída para a nobreza. É preciso participar da luta pela unificação para continuar controlando as massas. A nobreza deve mudar, para continuar existir, dividindo seu poder com a burguesia.

O padre conselheiro de Don Fabrizio é contra a unificação. É claro. Alerta sobre ambição do povo que pode tomar as terras da nobreza e as do Vaticano.

O professor Machado observa que Don Fabrizio olha para os acontecimentos como fatalidade histórica e ironiza a modernização: “será que as estradas vão melhorar com a nova ordem política”. Como grande parte da nobreza siciliana, Don Fabrizio vive de acordo com a rigorosa moral católica, mas cede aos desejos, afinal diz ele, “sou um homem vigoroso”, como não ceder à carne (aventuras extraconjugais), quando teve sete filhos sem nunca ter visto nem o umbigo da nobre e cristã esposa.

Assim, iniciamos o ano sem nenhuma empolgação, expectativas, apreciando o nosso estado de espectadores da realidade, porque com a exceção de Vladimir, cansamos da práxis.

Trailer de "O Leopardo", de Luchino Visconti


Jáder Marcos Paes Correto da Rocha

16.12.09

Alice no País das Maravilhas - Trailer 2



O primeiro trailer era legal, mas esse aumentou bastante minhas expectativas pra assistir a visão maluca do Tim Burton da Alice, já adolescente, retornando ao País das Maravilhas

Que tipo de texto você prefere ler aqui? - Enquete

Resultados bem equilibrados na nossa enquete (que não bombou tanto):

Que tipo de texto você prefere ler aqui?
Longos e com análises complexas:56%
Curtos e fáceis de entender: 43%

Ok, vou tentar equilibrar os dois tipos de texto, beleza?

Sessão de abertura do Clube de Ideias

por Jáder Marcos Paes Correto da Rocha

O nosso propósito é criar um jardim epicurista e discutirmos livremente qualquer assunto.

Somos cinqüentenários e não somos unânimes sobre os assuntos tratados.

O que nos une são nossas diferenças.

O Clube foi organizado por mim e pelos professores Machado, Veloso, Teixeira, Vladimir e Figueiredo.

Machado acredita que o Clube de Idéias está condenado a desaparecer antes de nascer, como a revista Klaxon no início do século XX. A revista Klaxon se destinava a um público que não existia, porque poucos liam. O Clube de idéias se destina àqueles que pensam, logo desaparecerá, porque poucos pensam.

Figueiredo não se importa com a repercussão do Clube, porque teme a massificação das discussões.

Veloso enxerga o sucesso! Crê no homem harmonioso, livre, desprovido de censuras.

Teixeira entende ser um bom caminho para melhorar o desempenho da sociedade.

Vladimir afirma ter encontrado um novo caminho para a práxis política.

Quanto a mim, por ora organizo a abertura do Clube no mais amplo devaneio.
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Publicado originalmente no blog Clube de Ideias

15.12.09

Cowboy lírico e o sorvete de creme - Frico

Neste domingo está rolando a parada gay na Avenida Paulista. Segue uma pequena homenagem beat do Clube à diversidade e liberdade de sexualidade.

O cowboy lírico entra no velho boteco
Toca Bob Dylan no iPod do traveco
"Quero conhaque nacional, meu chapa"
O fora da lei escarra seu pedido na lata

"As coisas estão mudando", diz o garçom
Ele é gay e tem um terninho marrom
"Assistiu "Milk" no espaço Unibanco"
É preto mas transa um playboy branco

Ontem eu saí de mãos dadas com meu homem na Paulista
Ninguém me xingou de bicha, isso foi uma conquista
Espero que um dia meu filho não precise fingir
Que pensa em mulher antes de dormir

"Os dias estão bem mais quentes, né?"
O taxista está suando em bicas debaixo do boné.
"É sim, meu truta, o tempo está louco"
"Temos que fazer alguma coisa, gritar até ficar rouco"

Não sei, será tão ruim um pequeno apocalipse?
Os bons se salvarão num eterno eclipse
Os homens morrem mas o universo segue imenso
Os dinossauros foram pro saco e ninguém ficou tenso.

"Me dá um dinheiro senhor, eu também tenho fome"
Eu tenho dinheiro, mas não dei, hoje ele não come
ver muitas vezes a Mona Lisa faz dela uma puta
Ver muitas vezes a miséria tira a fé na nossa luta.

O Cowboy lírico dispara certeira sua poesia
Cria universos vermelhos de uma gostosa anarquia
Liberdade não é bagunça, diz a pichação na minha cidade
Rita Cadillac rebola celulite e idade

"Gosto de mulher assim, saca? De verdade"
"O que é a verdade, meu querido? Homem é diversidade"
"Você gosta de homem, eu gosto de poesia."
"Sua verdade heterossexual me mata de asia. "

Conhaque agradável, fica saboroso com cerveja.
Essa música do Radiohead faz sentido com tristeza.
Não existe uma verdade, mas existe a felicidade?
Filósofo de boteco, vá beber na faculdade.

Vou ensinar os alunos a serem felizes, ensiná-los o gosto
Da chuva? Do corpo banhado em vinho? Das covinhas do seu rosto?
Não, tenho a felicidade sintetizada num wireframe
Se resume a um pote grande com calda e sorvete de creme

Frico deixa de lado a carcaça branca machista quando sonha que "Espero que um dia meu filho não precise fingir". Além do jornalismo que lhe paga o salário, ele escreve poesias, resenhas e bebe

13.12.09

100 livros essenciais da Literatura Mundial - revista BRAVO!

Aproveitando que publiquei a lista da BRAVO! de melhores filmes, publico também a lista dos "100 livros essenciais da Literatura Mundial", chupinhada do bom blog do Milton Ribeiro - que pôs os filhos para digitar tudo. Ainda preciso fazer minha lição de casa, porque só li 29 dos 100, mas pra 25 anos de vida, acho que está razoável.



1. Ilíada, Homero
2. Odisséia, Homero
3. Hamlet, William Shakespeare
4. Dom Quixote, Miguel de Cervantes
5. A Divina Comédia, Dante Alighieri
6. Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust
7. Ulysses, James Joyce
8. Guerra e Paz, Leon Tolstoi
9. Crime e Castigo, Dostoiévski
10. Ensaios, Michel de Montaigne
11. Édipo Rei, Sófocles
12. Otelo, William Shakespeare
13. Madame Bovary, Gustave Flaubert
14. Fausto, Goethe
15. O Processo, Franz Kafka
16. Doutor Fausto, Thomas Mann
17. As Flores do Mal, Charles Baldelaire
18. Som e a Fúria, William Faulkner
19. A Terra Desolada, T.S. Eliot
20. Teogonia, Hesíodo
21. As Metamorfoses, Ovídio
22. O Vermelho e o Negro, Stendhal
23. O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald
24. Uma Estação No Inferno,Arthur Rimbaud
25. Os Miseráveis, Victor Hugo
26. O Estrangeiro, Albert Camus
27. Medéia, Eurípedes
28. A Eneida, Virgilio
29. Noite de Reis, William Shakespeare
30. Adeus às Armas, Ernest Hemingway
31. Coração das Trevas, Joseph Conrad
32. Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley
33. Mrs. Dalloway, Virgínia Woolf
34. Moby Dick, Herman Melville
35. Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe
36. A Comédia Humana, Balzac
37. Grandes Esperanças, Charles Dickens
38. O Homem sem Qualidades, Robert Musil
39. As Viagens de Gulliver, Jonathan Swift
40. Finnegans Wake, James Joyce
41. Os Lusíadas, Luís de Camões
42. Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas
43. Retrato de uma Senhora, Henry James
44. Decameron, Boccaccio
45. Esperando Godot, Samuel Beckett
46. 1984, George Orwell
47. Galileu Galilei, Bertold Brecht
48. Os Cantos de Maldoror, Lautréamont
49. A Tarde de um Fauno, Mallarmé
50. Lolita, Vladimir Nabokov
51. Tartufo, Molière
52. As Três Irmãs, Anton Tchekov
53. O Livro das Mil e uma Noites
54. Don Juan, Tirso de Molina
55. Mensagem, Fernando Pessoa
56. Paraíso Perdido, John Milton
57. Robinson Crusoé, Daniel Defoe
58. Os Moedeiros Falsos, André Gide
59. Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
60. Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde
61. Seis Personagens em Busca de um Autor, Luigi Pirandello
62. Alice no País das Maravilhas, Lewis Caroll
63. A Náusea, Jean-Paul Sartre
64. A Consciência de Zeno, Italo Svevo
65. A Longa Jornada Adentro, Eugene O’Neill
66. A Condição Humana, André Malraux
67. Os Cantos, Ezra Pound
68. Canções da Inocência/ Canções do Exílio, William Blake
69. Um Bonde Chamado Desejo, Teneessee Williams
70. Ficções, Jorge Luis Borges
71. O Rinoceronte, Eugène Ionesco
72. A Morte de Virgilio, Herman Broch
73. As Folhas da Relva, Walt Whitman
74. Deserto dos Tártaros, Dino Buzzati
75. Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez
76. Viagem ao Fim da Noite, Louis-Ferdinand Céline
77. A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queirós
78. Jogo da Amarelinha, Julio Cortazar
79. As Vinhas da Ira, John Steinbeck
80. Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar
81. O Apanhador no Campo de Centeio, J.D. Salinger
82. Huckleberry Finn, Mark Twain
83. Contos de Hans Christian Andersen
84. O Leopardo, Tomaso di Lampedusa
85. Vida e Opiniões do Cavaleiro Tristram Shandy, Laurence Sterne
86. Passagem para a Índia, E.M. Forster
87. Orgulho e Preconceito, Jane Austen
88. Trópico de Câncer, Henry Miller
89. Pais e Filhos, Ivan Turgueniev
90. O Náufrago, Thomas Bernhard
91. A Epopéia de Gilgamesh
92. O Mahabharata
93. As Cidades Invisíveis, Italo Calvino
94. On the Road, Jack Kerouac
95. O Lobo da Estepe, Hermann Hesse
96. Complexo de Portnoy, Philip Roth
97. Reparação, Ian MacEwan
98. Desonra, J.M. Coetzee
99. As Irmãs Makioka, Junichiro Tanizaki
100 Pedro Páramo, Juan Rulfo

-Mais literatura

-Tentativas poéticas

10.12.09

RAP - Poesia

-Já ouviu rap de nerd?


Ilustra do Bylla, zineiro de Penápolis

Eu não tinha estudo então fiz um rap.
Para todos os bandos de moleque.
Que como eu andaram descalços
Para os condenados presos no cadafalso.

Pra todo mundo que deveria não ser, mas foi.
Todo um mais um que não é dois
Toda rima pobre que emociona
Toda falta de lirismo que questiona.

Um dia eu também estive na fila esperando.
Um exame, um documento, uma noite sonhando.
Usando aquela roupa maior dada como esmola.
Assistia aos meninos do bairro cheirando cola.

Para todo mundo que deveria estar preso e é poeta.
Todo louco que virou um pouco profeta.
Todo analfabeto que ensina
Todo puta que é menina.

A beleza do mundo é difícil de perceber.
Morrer não é difícil, é bem mais fácil que viver.
A poesia da vida é assim real.
Como esse poema fraco e sem final.

Originalmente postado no blog Clube de Ideias.

-Leia mais poesias
-"Tiros, tretas e vagabundagem"

9.12.09

100 filmes essenciais - Revista BRAVO!

Essa lista da BRAVO! foi publicada há alguns anos(2007), virou best seller e ganhou segunda edição nas bancas. Mesmo sabendo que ranquear arte é uma besteira, acho uma boa lista para quem quer conhecer clássicos do cinema. Como vira e mexe eu procuro essa lista pra assitir algum filme, resolvi postar aqui pra facilitar a consulta:

*Inseri links para resenhas de filmes que já tinham sido comentados no Punk Brega

01. Cidadão Kane (1941), de Orson Welles


02. O Poderoso Chefão (1972), de Francis Ford Coppola
03. Sindicato de Ladrões (1954), de Elia Kazan
04. Um Corpo Que Cai (1958), Alfred Hitchcock
05. Casablanca (1942), de Michael Curtiz
06. Oito e Meio (1963), de Federico Fellini
07. Lawrence da Arábia (1965), de David Lean
08. A Regra do Jogo (1939), de Jean Renoir
09. O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein
10. Rastros de Ódio (1956), de John Ford
11. Cantando na Chuva (1956), de Gene Kelly e Stanley Donen
12. Crepúsculo dos Deuses (1950), de Billy Wilder
13. Persona (1966), de Ingmar Bergman
14. O Mensageiro do Diabo (1955), de Charles Laughton
15. 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick
16. Os Sete Samurais (1954), de Akira Kurosawa
17. O Leopardo (1963), de Luchino Visconti
18. Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese
19. Era uma Vez em Tóquio (1953), de Yasujiro Ozu
20. Fitzcarraldo (1982), de Werner Herzog
21. Acossado (1959), de Jean-Luc Godard
22. Jules e Jim (1962), de François Truffaut
23. O Conformista (1970), de Bernardo Bertolucci
24. Em Busca do Ouro (1925), de Charles Chaplin
25. Metrópolis (1926), de Fritz Lang
26. O Sétimo Selo (1956), de Ingmar Bergman
27. A Aventura (1960), de Michelangelo Antonioni
28. Amarcord (1973), de Federico Fellini
29. Viridiana (1961), de Luis Buñuel
30. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), de Woody Allen
31. O Nascimento de uma Nação (1915), de D. W. Griffith
32. Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Coppola
33. Era uma Vez no Oeste (1968), de Sérgio Leone
34. Assim Caminha a Humanidade (1956), de George Stevens
35. Psicose (1960), de Alfred Hitchcock
36. O Martírio de Joana D’Arc (1928)
37. Touro Indomável (1980), de Martin Scorsese
38. Olympia (1938), de Leni Riefenstahl
39. O Falcão Maltês (1941), de John Huston
40. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha
41. Dr. Fantástico (1964), de Stanley Kubrick
42. Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rossellini
43. A Doce Vida (1960), de Federico Fellini
44. Chinatown (1974), de Roman Polanski
45. A Felicidade Não se Compra (1946), de Frank Capra
46. …E o Vento Levou (1939), de Victor Fleming
47. Tempos Modernos (1936), de Charles Chaplin
48. A Um Passo da Eternidade (1953), de Fred Zinnermann
49. O Sacrifício (1986), de Andrei Tartovski
50. Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick
51. A General (1927), de Buster Keaton
52. O Homem Elefante (1980), de David Lynch
53. O Mágico de Oz (1939), de Victor Fleming
54. Querelle (1982), de Rainer Werner Fassbinder
55. A Primeira Noite de um Homem (1967), de Mike Nichols
56. Morte em Veneza (1971), de Luchino Visconti
57. A Última Sessão de Cinema (1971), de Peter Bogdanovich
58. Os Bons Companheiros (1990), de Martin Scorsese
59. Blade Runner – O Caçador de Andróides (1982), de Ridley Scott
60. A Malvada (1950), de Joseph L. Mankiewicz
61. Nosferatu (1922), de Friedrich W. Murnau
62. O Último Tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci
63. Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio de Sica
64. Asas do Desejo (1987), de Wim Wenders
65. Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994), de Quentin Tarantino
66. Repulsa ao Sexo (1965), de Roman Polanski
67. Crimes e Pecados (1989), de Woody Allen
68. Uma Rua Chamada Pecado (1951), de Elia Kazan
69. Butch Cassidy e Sundance Kid (1969), de George Roy Hill
70. Os Imperdoáveis (1992), de Clint Eastwood
71. Patton – Rebelde ou Herói? (1969), de Franklin J. Schaffner
72. Tudo Sobre Minha Mãe (1999), de Pedro Almodóvar
73. Um Lugar ao Sol (1951), de George Stevens
74. Um Estranho no Ninho (1975), de Milos Forman
75. Amor à Flor da Pele (2000), de Wong Kar-Wai
76. Hiroshima, Meu Amor (1959), de Alain Resnais
77. Kaos (1984), de Irmaõs Taviani
78. Brazil, O Filme (1985), de Terry Gilliam
79. Quanto Mais Quente Melhor (1956), de Billy Wilder
80. Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles
81. Os Homens Preferem as Loiras (1953), de Howard Hanks
82. Um Cão Andaluz (1928), Luis Buñuel
83. Los Angeles – Cidade Proibida (1997), de Curtis Hanson
84. Pixote – A Lei do Mais Fraco (1981), de Hector Babenco
85. Ben-Hur (1959), de William Wyler
86. Fantasia (1940), de Walt Disney
87. Sem Destino (1969), de Dennis Hopper e Peter Fonda
88. Dogville (2003), de Lars Von Trier
89. O Império dos Sentidos (1976), de Nagisa Oshima
90. Um Convidado Bem Trapalhão (1968), de Blake Edwards
91. A Lista de Schindler (1993), de Steven Spielberg
92. Guerra nas Estrelas (1977), de George Lucas
93. O Pântano (2000), de Lucrecia Martel
94. Cabaré (1972), de Bob Fosse
95. Operação França (1971), de William Friedkin
96. King Kong (1933), de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack
97. As Invasões Bárbaras (2003), de Denys Arcand
98. Fargo (1996), de Joel e Ethan Cohen
99. M.A.S.H. (1970), de Robert Altman
100. Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho



Pra mim ainda faltam 38, e pra você?

6.12.09

Sexus, Henry Miller

Sexus, Henry Miller - Editora CEA(Edição Econômica, 1975. Tradução de Roberto Muggiati.


Infelizmente não achei uma imagem da capa da edição que li..

por Fred Di Giacomo

A montagem tosca cheia de mulheres nuas sobre o papel vagabundo engana. O título chamativo em vermelho - estampando a palavra “Sexus” - também. Henry Miller não é um mero escritor erótico, apesar de fazer o sangue e a libido alheia ferverem com suas descrições sexuais. Ele é um escritor da vida. “A prosa de Miller é uma torrente, uma catarata, um vulcão, um terremoto(...)”, escreveu Norman Mailer. George Orwell o definiu como “(...)o único excelente escritor de prosa imaginativa que apareceu na língua inglesa nos últimos anos”. Com essas credenciais, podemos nos desligar da imagem de Miller “o libertino” e começar a viajar na instigante jornada de Miller, o escritor.

“Devia ser uma noite de quinta-feira quando a conheci – no salão de danças”. Se era ou não uma quinta-feira, a Miller pouco importa. O que importa é que foi no salão de danças que ele conheceu Mona(na vida real, June), a paixão de sua vida e tema principal de "Sexus". Miller é casado e trabalha na companhia de telégrafos (ou Corporação Chupadora Cosmodemoníaca, como ele prefere). Odeia seu emprego, tem uma filha e uma mulher (com as quais pouco se envolve emocionalmente) , mora em Nova York e sonha em ser escritor. “Um fracasso em todo sentido da palavra”, como se define. Já pensou em se matar, conta-nos seu amigo Kronski, mas agora quer viver. Intensamente. Está empolgado com a existência. E a sensual Mona será a cereja deste saboroso bolo, esta nova percepção de vida.

“Sexus”(1949) faz parte da trilogia “Crucificação Encarnada” – ao lado de “Plexus”(1953) e “Nexus”(1960) – que consagrou Miller como um dos grandes do século XX, depois de seu começo conturbado com o censurado“Trópico de Câncer”. O livro narra os últimos anos de Miller nos Estados Unidos, antes de largar tudo e ir vagabundear na Europa – onde se revelou como escritor.(Período brilhantemente mostrado no filme “Henry & June”). O autor explica que está se aproximando de seu trigésimo terceiro aniversário – a idade de Cristo crucificado – e uma nova vida se estende para ele. Mas este é o único motivo pelo qual a trilogia deve se chamar "Crucificação"? O leitor atento pode observar: que são os discursos verborrágicos de Henry sobre a vida, o sexo, o trabalho e a sociedade que não sermões, muitas vezes em parábolas? Assim como Cristo, nosso autor/personagem prega um novo mundo, um paraíso - desta vez na Terra - que pode ser atingido através de sua doutrina. Ele converte amigos e mulheres com sua fala inflamada, realiza milagres através de orgasmos e multiplica comida e dinheiro - que consegue pedindo aos camaradas. E qual é sua punição? A crucificação simbolizada pelo casamento, o trabalho, as contas pra pagar e a rotina humana. Muito dessa filosofia não é novidade, algo foi tomado de Nietzsche(assim com de Céline vêm as descrições cruas e de Dostoiéviski os diálogos realistas.) Mas ao contrário de Nietzsche, Miller trepa.
A obra é dividida em 5 livros. O primeiro é mais morno, com o começo do romance entre Miller e a misteriosa Mona e a apresentação de seu círculo de amigos. A coisa vai engrenando no livro 2, que narra o fim do casamento de Henry com sua primeira esposa, Maude, e explode nos 3 seguintes, com a intensidade narrativa cada vez mais quente.

-Leia contos libertários e libertinos

-Mais resenhas de grandes livros

O Miller de “Sexus” é um escritor sem livros. Todos os amigos gostam de sua companhia, lhe emprestam dinheiro e perguntam por que ele não escreve nada. “Você deveria escrever como fala”, alguém aconselha. Clic! Um estalo dispara uma fagulha no narrador. “O mundo só começaria a tirar de mim algo de valor a partir do momento em que eu deixasse de ser um membro sério da sociedade e me tornasse – eu mesmo”.

Não é a toa que Miller tenha influenciado tantos beats e hippies. Ele quer tacar fogo em toda superficialidade da vida cotidiana e ir direto ao âmago da existência. Odeia o comum. Quer criar um novo mundo. “Se existe algo da qualidade de Deus em Deus é isto. Ele ousou tudo imaginar”. Se por um lado é libertário, por outro é egoísta, deixando filha e mulher de lado para viver sua grande aventura pessoal. Afirma que não se importa com a miséria do mundo. “Para mudar o mundo devemos primeiro mudar nós mesmos”, dizia um dos lemas da contracultura. Como um São Francisco ninfomaníaco, o escritor quer se livrar do peso morto para alçar vôo: “Nas poucas leituras que eu fizera, tinha observado que os homens que eram mais na vida, que estavam amoldando a vida, que eram a própria vida, comiam pouco, dormiam pouco, possuíam pouco ou quase nada”.

-Conheça "O Uivo", de Allen Ginsberg




O ritmo do texto ganha a virulência dos discursos inebriados de Miller. Ele cospe Blake, Céline e Buda numa velocidade assustadora, mesclados às sensuais descrições de suas aventuras eróticas com amantes, Mona e a ex-esposa. Novamente há aqui um movimento contraditório. É o narrador um ativista da libertação sexual ou um machista só preocupado com seu próprio falo? Ele parece realmente apaixonado por Mona, apesar de conviver bem com as traições de ambos os lados.

Cada capítulo de “Sexus” traz novos personagens e citações. Se há algum enredo que conduz a história, este pode ser resumido em “livro que narra o primeiro divórcio de Miller, o começo da relação com Mona e o processo de transformação que levaria o autor a largar tudo e virar escritor”. Com a aceleração do ritmo passamos por sonhos, devaneios e descrições surrealistas. Miller, o gangster espiritual, adianta “O Almoço Nu” de Borroughs em alguns anos pra terminar em sua própria “Metamorfose” surrealista.

“Somos todos culpados do crime, o grande crime de não vivermos uma vida completa”. É essa a maior busca do escritor/personagem: desfrutar de uma vida completa.

-Leia resenha de "Trópico de Câncer"
-Pedro Juan Gutiérrez, o Henry Miller cubano

Mona(June) e Anais Nin, no filme "Henry & June"

Show do Milhouse na Pompéia


É hoje, moçada, quem estiver em São Paulo e quiser se divertir depois do jogo, nós vamos começar a tocar depois das 19h. "Rock brega nerd e todo aquele nheco-nheco"

4.12.09

Fernanda Young - Musas com cérebro

-Galeria de musas


Acho que fui a única pessoa que ficou feliz quando soube que Fernanda Young ia ser capa da Playboy. Sempre curti o estilo(mezzo rocker, mezzo pin up) da escritora e apresentadora de 39 anos. E tem também o fetiche intelectual, é interessante que uma capa da Playboy já tenha publicado 8 romances.



Prometo ler algum livro da Fernanda em 2010. Se for bom, publico alguma coisa aqui. Por enquanto, fiquem com a listinha de "motivos"(intelectual na Playboy, tem dessas :-P), que Young deu para fazer as fotos nuas:


1) Salvar o erotismo das mãos da breguice.
2) Não devo nada a ninguém.
3) Em alguns lugares do mundo, mulheres ainda são obrigadas a tampar seus corpos.
4) Vingança pura e simples.
5) Nos meus livros, eu me exponho mil vezes mais
6) Vou fazer 40 anos ano que vem.
7) Irritar a minha mãe.
8) Estou me lixando para o que os idiotas vão achar.
9) É a primeira vez na história que a coelhinha da Playboy tem 8 romances publicados.
10) Não existem ex-BBBs suficientes (aleluia).

-Simone de Beauvoir feminista e feminina
-Bettie Page, a rainha das pin ups

2.12.09

Drogas

-Poema originalmente publicado no Clube de Ideias

Já tomei cerveja, pinga e conhaque
Tracei whiskey, vodka e Prozac

Azpraz, marijuana, lança perfume
Bolonha, haxixe e estrume

Novelas, tequila, absinto
Sermões, pornografia e sinto

Ainda sinto a mesma dor que me mantém ligado
Não consigo dormir, não fico parado

Não vou me matar, não vou desistir
Não vou enlouquecer, nem deixar de sorrir.

Sou igual a todos na doença e na glória
Minha única diferença é minha memória.

Não esqueço um segundo as dores do mundo.
Insisto em dar luz a este existir vagabundo

-Outras poesias freakies

Frico atualiza o Punk Brega religiosamente a cada dois dias, além de tentar manter vivos o Clube de Ideias e os blogs de suas bandas. Deixa um comentário aí pra ele continuar fazendo seus rabiscos, nem que seja propaganda de dentista.

-Uma canção para São Paulo
-A poesia beat de Ferlighetti

1.12.09

Seus cabelos vão ficando brancos - Frico

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Nasci numa época de esperança, ano das Diretas Já, ano do caos de George Orwell
Ditadura militar desmoronava como o muro

que ruiu no ano em que um operário quase virou presidente da República
Não lembro muito do útero, só que gostava muito de lá. Sentia-me protegido
Às vezes queria voltar pro útero, que parecia ser meu verdadeiro lar

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Migrei para o interior, onde rolei na relva verde e me acostumei com o luar estrelado do
sertão
Li meu primeiro livro com 6 anos e não parei nunca
Meu pai lia muito todos aqueles nomes esquisitos como Freud, Nietzsche, Marx e Henry Miller
Não sabia se Eça de Queirós era homem ou mulher. Que pessoa é Eça?

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Meu pai lutava judô e minha mãe pintava quadros psicodélicos
Ela era bonita e nos colocava para desenhar ao som de Pink Floyd
Eu achava Andoniran Baborsa engraçado e ainda acho, eu tinha um cachorro vira-latas e
nosso bairro era um pouco feio
Eu não podia brincar na rua como os vizinhos porque era perigoso. Ser atropelado. Um cigano.
Um tarado.
Meus vizinhos pareciam com os pobres que eu via na televisão

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

O anarquismo vinha depois do comunismo, que vinha depois do socialismo, que vinha
depois da derrota do capitalismo.
Mas os russos entregaram os pontos de vez em 1991. Assisti as Olimpíadas de 1992 sem a URSS
A copa de 1994 é nossa, o Brasil é tetra e eu sou muito perna de pau.
Sempre fui o último a ser escolhido na Educação Física.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Estudei em escola pública dos 5 até os 9 anos
Odiei a escola de freiras onde meus pais davam aula.
Eu era bolsista, ateu e não sabia jogar bola. Era estranho e diferente.
Meus pais eram estranhos e diferentes e ninguém no interior entendia a gente.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Eu passei recreios inteiros sozinho lendo Gulliver
Eu esperava a entrada para aula, sozinho, lendo Graciliano Ramos
Eu me divertia sozinho lendo gibis do X-Men.
E eu só tinha 10 anos.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Mutações em minha carne: estiquei, emagreci, desafinei. Pelos desabrocharam
Tudo antes dos outros.
Uma menina disse que meus olhos eram bonitos. Mas só os olhos.
O irmão da Sabrina Sato disse que eu tinha cara de rato.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Me apaixonei pela primeira vez com 13 anos. De verdade. Pela menina que todo mundo se
apaixonava.
Ela era loira e tinha uma bunda redonda, grande e bonita. A maior da sala.
Eu gostava das bundas. Bastante.
Escrevi poesias pra ela.
Versos de amor não eram meu forte...
Escrevia porque a vida me angustiava e, se fosse feliz, não escrevia mais nada.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Pilhas poeirentas de quadrinhos de super-heróis, RPG e... A INTERNET.
Tinha mulheres com bundas grandes lá e elas gostavam das minhas poesias.
Me apaixonei pelo rock 'n' roll em 1996. Perdidamente.
Criei um fanzine em 1997 com um amigo e meu irmão.
Em 1998, comecei a tocar violão.

****

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Minhas calças se rasgaram, os fios de cabelo se espetaram e um brinco se alojou em minha
orelha esquerda.
Eu era punk, como aqueles que eu via na tv. Eu era alguém e tinha um grupo.
As pessoas tinham medo de mim, e eu gostava. Fiz outro furo na orelha e comprei um bracelete.
Toquei em palcos imundos dos subúrbios, em praças e em centros culturais.
Pulei, gritei e tive convulsões públicas para animar platéias de meia dúzia de pessoas.
Tive bandas, zines, programas na rádio e meu primeiro romance. Durou 3 meses.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Aos poucos entendendo as mulheres.
Adeus mãe gigante, grande, acolhedora, tribal, arquetípica, freudiana.

***

Crescer dói. Descobri que morava na periferia. Um amigo me disse.
"FrIco G mora num lugar perigoso".
Tinha pessoas pedalando de volta para casa às 18h, velhos conversando na calçada
Um vizinho era lixeiro, mas depois foi preso. Polícia passa. Boca de fumo do bairro. Mas nunca
prende ninguém.
Conheci garotos que já tinham vivido mais que homens.
Um cara da classe mata alguém. Outro internado em uma rehab. Menino assalta venda
com uma arma.
Pobre demais pra ser branco e claro demais pra ser um negro.
Queria um lar que não fosse mais um útero.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Pais rígidos. Castigo.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Assisti a queda das Torres Gêmeas na escola e as pessoas comemoraram.
Minha tia americana ligou chorando pra minha mãe.
Me arrependi
Senti o grande império WASP ruindo. Como um rato que rói a roupa do rei de Roma.

***
E, pesando 59 kg, eis o primeiro lugar em uma faculdade pública de jornalismo.
Comecei a beber. Comecei a viver.
Aos 18 anos, vida ganhava cores e cheiros.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Voei até os EUA e freqüentei convenções anarquistas e shows de hardcore.
Tive medo de avião. Tive medo de morrer. E tive medo da vida.
Conheci pessoas maravilhosas, que amei como irmãos.
Conheci mulheres maravilhosas, que amei ou não.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Participei.
De protestos, trupes de teatro, bandas de rock, festas, gangues de discussão de filosofia, programas de tv e filmes amadores.
Vivi 40 anos em 4

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Acreditei no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, onde conversei com pessoas de todos os continentes que acreditavam
Que um outro mundo era possível
E eu ainda acredito. Você não?

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Dormi com as mais feias e as mais bonitas. E as pintei lindas.
Tive a mulher que achei que não teria e a perdi.
Chorei muito, mas fui mais feliz do que triste.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Pânico. Mãos formigando, taquicardia. Achei que ia morrer.
Me arrastei por seis meses em direção a vida de adulto.
Cortei o cabelo, arrumei um emprego, entrei no túnel do metrô imergindo em depressão
A cidade de São Paulo era cinza e fedia como merda, como morte, como dor.
No Butantã mendigos alados e ratos dilacerados faziam coro com as putas tristes, os travecos
de peruca
Os vendedores ambulantes, os botecos imundos, os porteiros nordestinos, os malucos de rua,
as crianças ranhentas.
Eu voltara à miséria, comendo um prato de cinco reais com tomate, cebola, arroz, feijão e um frango horrível.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Mas ganhei dinheiro, vendi minhas letras e ideias por um preço razoável
Viajei, então, e pude ver o mar. Foi lindo. Toda aquela imensidão azul. Penetrou em mim.
Lágrimas lubrificaram o âmago.
Achei uma mulher com asas que voou comigo e tive que abandonar as outras por justa causa.
No começo foi difícil, mas aprendi que fidelidade acontece por vontade, não obrigação.
Acalmei meus demônios internos em sessões de terapia, aulas de Yoga e noites com minha
preta

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Expulsei Édipo de Tebas aos bicudos no cu.
Doeu
Aceitei que podia ser feliz e ter um pouco de dinheiro
Mas nunca desisti.
Continuo sendo uma fábrica de sonhos e ilusões.

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Assisti ao Pânico em SP tocado pelos ataques do PCC
Vivi os tempos da Gripe Suína, o medo de uma epidemia, a crise financeira de 2009.
Errei feio, pedi perdão, me senti culpado e chorei
E escrevi, e li, e gozei, e amei, e bebi, e fumei, e dancei, e abracei, e sonhei

Seus cabelos vão ficando brancos, Frico

Sigo a sina

Estou há mais de dez anos tentando escrever poesia
Os cabelos estão ficando brancos, mas as palavras insistem em soar vazias.

Frico escreveu esse punhado de versos ai em cima. Ele andou lendo muito Walt Whitman, Ginsberg e Ferlighetti e por isso fez um poema tão grande. Leia mais trabalhos dele aqui. Ah, ele também tem um blog, o Punk Brega.

30.11.09

"Camisa de Vênus", 1983 - Camisa de Vênus

-Curte a poesia maldita de Augusto dos Anjos?


Os cinco malucos da capa são mal encarados e carregam polêmica encharcada até os ossos. A banda começou num terreno improvável: a Salvador de 1982. Nas rádios tocava Gilberto Gil, Pepeu Gomes e Axé. A Bahia era a terra de Antônio Carlos Magalhães, do carnaval e do acarajé. Mas os 5 da capa gostam de rock ‘n’ roll e punk rock, falam palavrões e se declaram “a única banda heterossexual do mundo”. Espete sua agulha ou dê play na MP3. Vamos dissecar mais um crássico do nosso (punk) rock brazuca.

Polêmica 1
Depois de fazer sucesso com seu primeiro compacto(“Controle Total”, versão de “Complete Control”, do Clash), a banda formada pelo radialista e rocker Marcelo Nova, Robério Santana (Baixo), Karl Franz Hummel (guitarra base), Gustavo Mullen (Guitarra solo) e Aldo Machado (Bateria) já lotava casas em Salvador e recebeu proposta de contrato para gravar um disco, que inicialmente deveria sair pela pequena Fermata. De olho no potencial que aqueles roqueiros poderiam atingir no auge do Brock dos anos 80, a Som Livre se dispôs a lançar a bolacha que levava o nome da banda em 1983. Aí que rolou a primeira confusão. Com a promessa de ganhar divulgação na Globo e demais televisões os engravatados da Som Livre propuseram a Marceleza e Cia que o Camisinha mudasse para um nome “mais família”. Putos da vida, os caras propuseram chamar-se “Capa de Pica” e foram demitidos. Passaram meses ralando em São Paulo à base de sanuíches até que a RGE oferecesse um contrato para os caras e eles estourassem no Brasil inteiro com o hit “Eu não matei Joana a Darc”. Rádios conquistas, a gravadora relançaria “Camisa de Vênus” com o selinho “incluindo Bete Morreu”.




Polêmica ao quadrado
Mas pera aí, o Camisa de Vênus era punk? Bom, Marcelo nova odiava o rótulo de “punk baiano”, que colou na banda no começo de carreira. A real é que os caras do Camisa eram rockers que, de saco cheio da cena da época, se empolgaram com o retorno às raízes que os punks 77 propunham. Aliás, “Camisa de Vênus” é provavelmente o único disco de punk 77 feito no Brasil, já que a maioria dos punks paulistanos curtia mesmo era hardcore inglês e finlandês. No álbum, além das letras críticas/sacanas, do visual da banda - com cabelos espetados, roupas pretas e jaqueta – e dos instrumentos toscaços usados nas gravações, é marcante a presença de quatro versões de clássicos do punk britânico.

Mas e o som? Bom, vale lembrar que esse disco foi lançado antes de “Crucificados Pelo Sistema” do RDP, considerado o primeiro disco de uma banda punk/hc da América Latina. Em suas páginas, a revista Showbizz relembrou: “São Paulo já sabia. Mas o resto do Brasil só foi aprender a pogar mesmo com "Meu Primo Zé", "Bete Morreu" e outras obras-primas do disco de estréia do grupo de Marcelo Nova.(...) Certo, com chupações creditadas e não-creditadas de Jam, Buzzcocks & Cia., mas bem aclimatado à baianidade irrevogável dos instrumentos (de péssima qualidade), dos instrumentistas e, principalmente, do sotaque de Marcelo.” O disco abre com “Passamos por isso”, que esculacha MPB e satiriza “Brasileirinho”(que o “inimigo da banda”, Pepeu Gomes tinha imortalizada em versão guitarreira). A vocal de Nova é quase declamado, suas letras são ácidas, o som da banda é abafado. “Metástase” tem a ótima letra chupada de “Where Next Columbus” do Crass. “Bete Morreu” é o primeiro hit do disco. Um catarro sádico, narrando o espancamento, estupro e morte de “Bete” a rainha da escola, patricinha perfeita. “Negue” adianta o punk brega de Wander Wildner em mais de 10 anos, trazendo uma versão raivosa para a clássica dor de corno da MPB. “O Adventista” transforma “I Believe” do Buzzcocks em hit, citando Xuxa e Pelé e Flávio Cavalcanti na letra. “Pronto para o suicídio” é a porrada mais punk do álbum, que acaba com outro hit roqueiro, “Meu Primo Zé”. Fazendo discursos em seus shows performáticos, Marcelo Nova colecionava inimigos na crítica e cena da época, detonando tudo na MPB com exceção de Raul Seixas(um de seus grandes ídolos) e os artistas marginais(como Walter Franco e Jards Macalé, que o Camisa regravaria).



"Bete Morreu" com áudio ruim e participação de Clemente, dos Inocentes



Outras resenhas de punk nacional:
-Pela Paz, Cólera
-Mais podres do que nunca, Garotos Podres

Polêmica – a vingança final

Mas o Camisa de Vênus fazia plágios de bandas gringas? Apesar, de afirmarem que tinham um som original e não copiavam ninguém lá fora, os baianos realmente eram craques em fazer versões de músicas undegrounds estrangeiras. Tudo bem, Roberto e Erasmo Carlos também começaram assim, não é? No primeiro disco estão creditadas as “inspirações” em “That’s Entertainment” (The Jam) e “I Believe” (Buzzcocks). Mas os caras esqueceram de dar crédito em “Metástase” (“Where Next Columbus”, The Crass) e “Meu primo Zé” (“My Perfect Cousin”, Undertones). Em defesa de Marceleza, tem-se que afirmar que suas versões sempre incluíam atualizações para a realidade nacional, com exemplos do cotidiano brasileiro, e que suas letras “não chupadas” também não perdiam o fio da navalha. E pra acabar com a discussão, um trechinho de entrevista dos caras para Bizz, em janeiro de 1987:

BIZZ- E essa coisa de roubar refrões?
Marcelo - A gente sempre usa isso. Em cada disco tem uma música que a gente faz isso.
BIZZ - É uma brincadeira?
Marcelo - É uma brincadeira.
Gustavo - Que também pode ser levada a sério.
Marcelo - Não, é uma brincadeira, eu não estou plagiando, só estou tirando um sarrinho, posso?

Se você gostou desse disco, ouça também "Viva", do Camisa de Vênus

29.11.09

Três - Ana Alice

O tempo que lhe cabe
Pra fazer
Dois
É o mesmo de correr o risco
de ser
um.

E todo
Em parte
Tripartido
Pelo ir
Vir
E encontrar.

Mas se não der
Azar.

Ana Alice Gallo nasceu em Ribeirão Preto, vive em São Paulo e é canhota, além de escrever poeminhas bacanas, é baterista e jornalista. Evita o estresse com doses de zen drugs e toca nas bandas Milhouse e Liga das Senhoras Católicas. Leia mais textos dela no brog Credencial Tosca.


Amor nosso de cada dia - Bárbara dos Anjos

O amor que mora na casa do lado está morrendo.
Romântica que sou, detesto ver um amor morrer.
Fico nostálgica pelos outros.
Triste pelo vazio que vai ficar.
O vazio de risadas, danças e de brilho nos olhares.
Fico temerosa pelo tempo em que a tristeza pode morar ali, tão pertinho.
E não quero pensar nem por um momento que amor da minha casa pode acabar.
Ele é tão lindo, tão puro, tão tudo-aquilo-que-eu-sempre-sonhei. Tão amor.
Mas logo escuto sorrisos na casa ao lado.
Vejo flores renascerem.
Escuto novas músicas para se dançar.
E percebo: toda vez que um amor morre nascem pelo menos mais dois no seu lugar.
É disso que amor vive.
De se dividir. E de se multiplicar.
Até bater de novo (e pra sempre) em todas as casas da vizinhança.

Bárbara dos Anjos é jornalista, gaúcha e libriana. Acha que está saindo de um bloqueio criativo. Mas como boa libriana está meio insegura. O que você acha?

Desejo - Cecilia Di Giacomo


Cecilia Di Giacomo tem cabelo vermelho, é socióloga, pinta, mas também escreve poesia e esculpe.

=>Mais quadros da Cecilia aqui

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