Querem ser ricos.
E eu,
hippie
Veja também:
-Toda poesia
-Meu pai é um livro
24.2.10
Todos bons garotos
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17.2.10
Queria uma rima pra silêncio
Como não encontrei
Fiquei com
a
paz
Veja também:
-Canção de Amor
-Tem um Drummond no meio do caminho
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12.1.10
O Evangelho segundo Louis Amstrong - Frico
-Quer aprender a perder o pecado?
E, então, o senhor disse:
Tocai as cornetas até arrebentar seus pulmões
Que o homem saiba que são dele o reino e os portões.
Do alto da montanha o band leader sentiu
Foi o dia em que o sábio Nietzsche sorriu:
"Um Deus que dança! Hosana nas alturas!"
E Coltrane era o sacerdote a empunhar as escrituras
O amor supremo inebriou os cordeiros do senhor
Francisco de Assis rodopiava em louvor
O padre ministrava seguindo a partitura
E Deus era o maestro de toda criatura.
Era o Apocalypse, a grande revelação
Salvaram-se as almas pela força da canção
Frico já escreveu um punhado de poesias nesse blog. Leia o resto aqui e deixe seu comentário aí embaixo.
-Tem um Drummond no meio do caminho
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25.12.09
Hoje é dia D(Meu Canto)
Escrevi essa música em janeiro de 2006, no último dia em Penápolis, antes de me mudar para São Paulo e começar a trabalhar como jornalista. Ela me lembra o Natal.
Hoje não tem choro de criança
Nasceu um raio de esperança
Hoje não vai ter futebol
Dei oi pro vizinho e abri um vinho
Não me sinto mais um estranho no ninho
Quando saio na rua, não estou mais sozinho
Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver, o menino
Moleques pediram manga no meu quintal
Calor de rachar, mas isso é normal
Hoje não tem batida policial
Hoje não tem pais brigando
Não tem crianças chorando
Hoje não há dor em nenhum canto
Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver, o menino
Hoje não tem batucada, hoje não vai chover
Velhos decidiram não vão morrer
Hoje é dia do santo descer
Charles saiu da cadeia
As crianças vão dormir de barriga cheia
As pessoas pararam pra ver a lua cheia
Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver, o menino
Amanhã pagam se as dívidas
Amanhã velam-se os mortos
Amanhã choram-se as perdas
Amanhã vai se outro dia
Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver, o menino
Eu canto minha casa, meu canto
Meu bairro, meu santo
Eu canto: pra você viver
Hoje é dia de ver
Hoje é dia D
Hoje é dia de ver o menino nascer
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15.12.09
Cowboy lírico e o sorvete de creme - Frico
Neste domingo está rolando a parada gay na Avenida Paulista. Segue uma pequena homenagem beat do Clube à diversidade e liberdade de sexualidade.
Toca Bob Dylan no iPod do traveco
"Quero conhaque nacional, meu chapa"
O fora da lei escarra seu pedido na lata
"As coisas estão mudando", diz o garçom
Ele é gay e tem um terninho marrom
"Assistiu "Milk" no espaço Unibanco"
É preto mas transa um playboy branco
Ontem eu saí de mãos dadas com meu homem na Paulista
Ninguém me xingou de bicha, isso foi uma conquista
Espero que um dia meu filho não precise fingir
Que pensa em mulher antes de dormir
"Os dias estão bem mais quentes, né?"
O taxista está suando em bicas debaixo do boné.
"É sim, meu truta, o tempo está louco"
"Temos que fazer alguma coisa, gritar até ficar rouco"
Não sei, será tão ruim um pequeno apocalipse?
Os bons se salvarão num eterno eclipse
Os homens morrem mas o universo segue imenso
Os dinossauros foram pro saco e ninguém ficou tenso.
"Me dá um dinheiro senhor, eu também tenho fome"
Eu tenho dinheiro, mas não dei, hoje ele não come
ver muitas vezes a Mona Lisa faz dela uma puta
Ver muitas vezes a miséria tira a fé na nossa luta.
O Cowboy lírico dispara certeira sua poesia
Cria universos vermelhos de uma gostosa anarquia
Liberdade não é bagunça, diz a pichação na minha cidade
Rita Cadillac rebola celulite e idade
"Gosto de mulher assim, saca? De verdade"
"O que é a verdade, meu querido? Homem é diversidade"
"Você gosta de homem, eu gosto de poesia."
"Sua verdade heterossexual me mata de asia. "
Conhaque agradável, fica saboroso com cerveja.
Essa música do Radiohead faz sentido com tristeza.
Não existe uma verdade, mas existe a felicidade?
Filósofo de boteco, vá beber na faculdade.
Vou ensinar os alunos a serem felizes, ensiná-los o gosto
Da chuva? Do corpo banhado em vinho? Das covinhas do seu rosto?
Não, tenho a felicidade sintetizada num wireframe
Se resume a um pote grande com calda e sorvete de creme
Frico deixa de lado a carcaça branca machista quando sonha que "Espero que um dia meu filho não precise fingir". Além do jornalismo que lhe paga o salário, ele escreve poesias, resenhas e bebe
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10.12.09
RAP - Poesia
Eu não tinha estudo então fiz um rap.
Para todos os bandos de moleque.
Que como eu andaram descalços
Para os condenados presos no cadafalso.
Pra todo mundo que deveria não ser, mas foi.
Todo um mais um que não é dois
Toda rima pobre que emociona
Toda falta de lirismo que questiona.
Um dia eu também estive na fila esperando.
Um exame, um documento, uma noite sonhando.
Usando aquela roupa maior dada como esmola.
Assistia aos meninos do bairro cheirando cola.
Para todo mundo que deveria estar preso e é poeta.
Todo louco que virou um pouco profeta.
Todo analfabeto que ensina
Todo puta que é menina.
A beleza do mundo é difícil de perceber.
Morrer não é difícil, é bem mais fácil que viver.
A poesia da vida é assim real.
Como esse poema fraco e sem final.
-Leia mais poesias
-"Tiros, tretas e vagabundagem"
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2.12.09
Drogas
-Poema originalmente publicado no Clube de Ideias
Já tomei cerveja, pinga e conhaque
Tracei whiskey, vodka e Prozac
Azpraz, marijuana, lança perfume
Bolonha, haxixe e estrume
Novelas, tequila, absinto
Sermões, pornografia e sinto
Ainda sinto a mesma dor que me mantém ligado
Não consigo dormir, não fico parado
Não vou me matar, não vou desistir
Não vou enlouquecer, nem deixar de sorrir.
Sou igual a todos na doença e na glória
Minha única diferença é minha memória.
Não esqueço um segundo as dores do mundo.
Insisto em dar luz a este existir vagabundo
-Outras poesias freakies
Frico atualiza o Punk Brega religiosamente a cada dois dias, além de tentar manter vivos o Clube de Ideias e os blogs de suas bandas. Deixa um comentário aí pra ele continuar fazendo seus rabiscos, nem que seja propaganda de dentista.
-Uma canção para São Paulo
-A poesia beat de Ferlighetti
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1.12.09
Seus cabelos vão ficando brancos - Frico
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Nasci numa época de esperança, ano das Diretas Já, ano do caos de George Orwell
Ditadura militar desmoronava como o muro
Às vezes queria voltar pro útero, que parecia ser meu verdadeiro lar
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Migrei para o interior, onde rolei na relva verde e me acostumei com o luar estrelado do
Meu pai lia muito todos aqueles nomes esquisitos como Freud, Nietzsche, Marx e Henry Miller
Não sabia se Eça de Queirós era homem ou mulher. Que pessoa é Eça?
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Meu pai lutava judô e minha mãe pintava quadros psicodélicos
Ela era bonita e nos colocava para desenhar ao som de Pink Floyd
Eu achava Andoniran Baborsa engraçado e ainda acho, eu tinha um cachorro vira-latas e
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
O anarquismo vinha depois do comunismo, que vinha depois do socialismo, que vinha
A copa de 1994 é nossa, o Brasil é tetra e eu sou muito perna de pau.
Sempre fui o último a ser escolhido na Educação Física.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Estudei em escola pública dos 5 até os 9 anos
Odiei a escola de freiras onde meus pais davam aula.
Eu era bolsista, ateu e não sabia jogar bola. Era estranho e diferente.
Meus pais eram estranhos e diferentes e ninguém no interior entendia a gente.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Eu passei recreios inteiros sozinho lendo Gulliver
Eu esperava a entrada para aula, sozinho, lendo Graciliano Ramos
Eu me divertia sozinho lendo gibis do X-Men.
E eu só tinha 10 anos.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Mutações em minha carne: estiquei, emagreci, desafinei. Pelos desabrocharam
Tudo antes dos outros.
Uma menina disse que meus olhos eram bonitos. Mas só os olhos.
O irmão da Sabrina Sato disse que eu tinha cara de rato.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Me apaixonei pela primeira vez com 13 anos. De verdade. Pela menina que todo mundo se
Eu gostava das bundas. Bastante.
Escrevi poesias pra ela.
Versos de amor não eram meu forte...
Escrevia porque a vida me angustiava e, se fosse feliz, não escrevia mais nada.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Pilhas poeirentas de quadrinhos de super-heróis, RPG e... A INTERNET.
Tinha mulheres com bundas grandes lá e elas gostavam das minhas poesias.
Me apaixonei pelo rock 'n' roll em 1996. Perdidamente.
Criei um fanzine em 1997 com um amigo e meu irmão.
Em 1998, comecei a tocar violão.
****
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Minhas calças se rasgaram, os fios de cabelo se espetaram e um brinco se alojou em minha
As pessoas tinham medo de mim, e eu gostava. Fiz outro furo na orelha e comprei um bracelete.
Toquei em palcos imundos dos subúrbios, em praças e em centros culturais.
Pulei, gritei e tive convulsões públicas para animar platéias de meia dúzia de pessoas.
Tive bandas, zines, programas na rádio e meu primeiro romance. Durou 3 meses.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Aos poucos entendendo as mulheres.
Adeus mãe gigante, grande, acolhedora, tribal, arquetípica, freudiana.
***
Crescer dói. Descobri que morava na periferia. Um amigo me disse.
"FrIco G mora num lugar perigoso".
Tinha pessoas pedalando de volta para casa às 18h, velhos conversando na calçada
Um vizinho era lixeiro, mas depois foi preso. Polícia passa. Boca de fumo do bairro. Mas nunca
Um cara da classe mata alguém. Outro internado em uma rehab. Menino assalta venda
Queria um lar que não fosse mais um útero.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Pais rígidos. Castigo.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Assisti a queda das Torres Gêmeas na escola e as pessoas comemoraram.
Minha tia americana ligou chorando pra minha mãe.
Me arrependi
Senti o grande império WASP ruindo. Como um rato que rói a roupa do rei de Roma.
***
E, pesando 59 kg, eis o primeiro lugar em uma faculdade pública de jornalismo.
Comecei a beber. Comecei a viver.
Aos 18 anos, vida ganhava cores e cheiros.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Voei até os EUA e freqüentei convenções anarquistas e shows de hardcore.
Tive medo de avião. Tive medo de morrer. E tive medo da vida.
Conheci pessoas maravilhosas, que amei como irmãos.
Conheci mulheres maravilhosas, que amei ou não.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Participei.
De protestos, trupes de teatro, bandas de rock, festas, gangues de discussão de filosofia, programas de tv e filmes amadores.
Vivi 40 anos em 4
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
E eu ainda acredito. Você não?
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Dormi com as mais feias e as mais bonitas. E as pintei lindas.
Tive a mulher que achei que não teria e a perdi.
Chorei muito, mas fui mais feliz do que triste.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Pânico. Mãos formigando, taquicardia. Achei que ia morrer.
Me arrastei por seis meses em direção a vida de adulto.
Cortei o cabelo, arrumei um emprego, entrei no túnel do metrô imergindo em depressão
A cidade de São Paulo era cinza e fedia como merda, como morte, como dor.
No Butantã mendigos alados e ratos dilacerados faziam coro com as putas tristes, os travecos
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Mas ganhei dinheiro, vendi minhas letras e ideias por um preço razoável
Viajei, então, e pude ver o mar. Foi lindo. Toda aquela imensidão azul. Penetrou em mim.
No começo foi difícil, mas aprendi que fidelidade acontece por vontade, não obrigação.
Acalmei meus demônios internos em sessões de terapia, aulas de Yoga e noites com minha
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Expulsei Édipo de Tebas aos bicudos no cu.
Doeu
Aceitei que podia ser feliz e ter um pouco de dinheiro
Mas nunca desisti.
Continuo sendo uma fábrica de sonhos e ilusões.
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Assisti ao Pânico em SP tocado pelos ataques do PCC
Vivi os tempos da Gripe Suína, o medo de uma epidemia, a crise financeira de 2009.
Errei feio, pedi perdão, me senti culpado e chorei
E escrevi, e li, e gozei, e amei, e bebi, e fumei, e dancei, e abracei, e sonhei
Seus cabelos vão ficando brancos, Frico
Sigo a sina
Estou há mais de dez anos tentando escrever poesia
Os cabelos estão ficando brancos, mas as palavras insistem em soar vazias.
Frico escreveu esse punhado de versos ai em cima. Ele andou lendo muito Walt Whitman, Ginsberg e Ferlighetti e por isso fez um poema tão grande. Leia mais trabalhos dele aqui. Ah, ele também tem um blog, o Punk Brega.
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25.10.09
Uma canção para São Paulo
Era um refrão de samba, que virou esse texto longo, composto caminhando pelo meu bairro
-"Tinha um Drummond no meio do caminho"
São Paulo eu queria te abraçar, ai, ai.
Até que enfim a cidade vai enxergar, vai, vai.
São Paulo eu queria te abraçar, ai.
Até que enfim a cidade vai enxergar, vai.
Vai enxergar o mendigo-artista que pinta retratos no Butantã
A menina linda que espera cansada no ponto de ônibus
Garotos palhaços que transformam semáforos em circo
São Paulo das ruas imundas e cheias, Vital Brasil cacofônica.
São Paulo, se tu fosse uma mulher, te levava pra casa e arrumava seus dentes.
São Paulo, se tu fosse uma mulher, te dava banho e escovava teus dentes.
***
Um dia eu vi um rato morto debaixo da ponte Eusébio Matoso.
Decompondo-se dia após dia.
Pele.
Carne
Ossos
Poeira
Nada
Ao lado dos mendigos ratos, que habitavam bueiros. Nada
***
Como Caetano te achei feia, cinza e suja.
Mas te entendi depois, imponência de grandes avenidas paulistas e farias limas.
O lado bonito e oculto da cidade fantasma.
Não que não haja beleza nos jardins do Jardim Ângela e nas formas circulares do Capão.
Redondo.
Algumas coisas acontecem na Avenida São João
Madrugadas boêmias, Ipiranga, Copan. Meu coração.
"De noite rondo a cidade"
Os bares da Vila Madalena, Augusta e Barra Funda.
Espero meu ônibus e vejo o Jaçanã.
Passo o bilhete único e lembro do Adoniran.
***
São Paulo é a mais democrática e a mais elitista megalópole brasileira.
Não pertence aos paulistanos, mas aos nordestinos, caipiras e gaúchos
Africanos que estudam na USP, bolivianos que enchem o Brás, Bexiga e Barra Funda.
Italianos da Mooca em jogos do Juventus e japoneses cantando boleros em karaokês.
***
Metrô ultrarrápido
Jatos utrasônicos
Paulistanos ultrasós
***
São Paulo eu queria te abraçar, ai, ai.
Até que enfim a cidade vai enxergar
Vai
-Outras tentativas poéticas
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8.9.09
Abuelita
Acreditava que minha vózinha
Era um anjo
Gosto de pensar nisso
Porque gente que nem ela: boa
Que ama, cuida e doa
É ruim de ver na vida
Eu acho que voa
Uma homenagem de Frico à Vó Hermínia, retirado de "Menino Uterino e outros poemas da infância"
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19.8.09
"Penápolis" - Frico
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1.8.09
Poesia Punk - Frico
A poesia punk é popular e undeground, feita com pressa como uma trepada mal feita
Escrita com os culhões como um livro do Bukowski
Com o improviso do cinema do terceiro mundo
Afiada como as unhas compridas do Zé do Caixão
Afinada como a guitarra distorcida dos Ratos de Porão
A poesia punk, coitada, é xerocada e vendida nos semáforos por moedas
É recitada em imundos saraus regados a vinho e marijuana
É implorada por putas tristes e carentes de carinho e lirismo
A poesia punk é preto e branca como as páginas de um zine xerocado
É barata como uma dose ácida de rabo de galo
Sangrenta como um filme de terror barato
E recheada de furos como a sola do meu sapato
-Contos por mim cuspidos com carinho
-Documentário conta a história do punk nacional nos anos 90
-Entrevista com os Garotos Podres
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26.7.09
Leve ser me leve - Frico Di Giacomo
-Tem um Drummond no meio do caminho
Já andei muito de luto e preto
Das dores fiz um soneto
Da morte já fui conhecido e parceiro
Achei que ia morrer só e solteiro
A culpa deixava minhas costas pesadas
Fantasmas apareciam com caras assustadas
Eu sempre precisava ser o melhor
O caminho da dor eu sabia de cor
Agora não quero carregar cruz
Eliminar da ferida o pus
Poder caminhar sem dever nada ao mundo.
Acabar com a angústia lá no fundo
Ter a alegria das coisas simples da vida
Deixar que a destruição seja minha sina
Ser leve
Ser leve
Ser leve Ser
leve Ser leve
Ser leve Ser leve Ser leve
Ser leve como a neve
-Leia outras poesias
Frico despistou a síndrome do pânico e o stress acreditando no poder terapêutico da cerveja gelada, mantra de sua namorada
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1.5.09
Para perder o pecado - Poesia
-Deus falou pra mim
Para perder o pecado
Eu preciso escrever um poema
Sem anjos alados ou tortos
Sem Cristo
Sem Virgem
Sem dogmas
Sem necessidade de redenção
Sem tentativa de oração
Sem perdão
Sem 2000 anos de cultura
De símbolos sacros
De lamentações
De martírios santos
De fraternidade e culpa
Para me livrar de vez do pecado
Preciso esquecer dos demônios
As tentações
As putas apedrejadas
Esquecer de vez de tudo isso para
Finalmente chegar perto de Deus
Escrevi essa poesia no ônibus para Penápolis no sábado do feriado de 21 de abril, após ler alguns poemas do livro "Um parque de diversões da cabeça".
Não há nada que nos afaste mais de Deus que as religiões dos homens
-Mais poesias de onde veio essa
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Di Giacomo
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5.1.09
Minhas musas são pé sujo - Conto
-Tava procurando mulher pelada? Clica aqui, então
***

Este conto tem alguns trechos inspirados na minha experiência real no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, 2005. Na foto, eu, meu irmão Gabriel e Rodrigo "Pantera".
-Mais contos revolucionários e bêbados
-Aguenta ler mais? Clica aqui!
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Di Giacomo
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12.10.07
Bebendo com o Pantera - Conto
***
Bebendo com o Pantera.
Há tempos não bebia assim, cerveja até a cabeça girar, sem passar mal, como homem mesmo. Sem depressão, nem som alto, sem aquecer para trepar. Só eu e um camarada rodando os botecos da Augusta atrás da cerveja mais barata de São Paulo. Tinha começado depois do show do Mudhoney, num boteco do Butantã: 3,40 a Skol e a Brahma. Bebemos pouco, só até o Lúcio sair passando mal e o Titi quase dormir na cadeira. No sábado toquei com o Bernardo à tarde inteira e à noite fomos pra um boteco da Augusta. R$ 3,50 a garrafa. Chorava de rir com cada besteira que o Pantera dizia. O Bernardo pediu um “x-tudo” com calabresa, ovo, queijo, hamburguer e outras milongas mais. Parecia bom. Pedi um pra mim, deu meia hora e a barriga se revoltou, travei o cu, mas o gás quente saiu. Corri pro banheiro do boteco: ocupado. Três quarteirões até minha casa, correndo sem abrir muito as nádegas. Passei pelas putas que ocupavam a escada de casa. Abri a tranca quebrada de primeira, passei correndo pelos designers que moram comigo: Gabriel e Lacaz.
_Ta com pressa, hein, Ernesto?
Barro na louça. Destruo o banheiro. Alivio imediato. De volta pro bar e do bar para um aniversário num fliperama da Augusta. O Pantera parece uma criança, ganhando de todo mundo no Street Fighter. Muita gente: jornalistas, designers, fotógrafos. Modernos, em sua maioria brancos, bêbados, felizes naquele pequeno orgasmo eletrônico. Muitas mulheres. Minha namorada está no sul. Bêbada. Saiu de um “open house” no apê da amiga pra uma balada às 3:30 da manhã. Chegou em casa às 6 horas. Minha namorada está no sul, mas as amigas estão aqui. Todos meus amigos estão namorando, até mesmo o Renato que mal se comunicava pelo msn e faz pose de durão. A mina dele canta e criou um personagem de quadrinhos. Par perfeito. 2:30h, convoco Bernardo e Pantera pra sair fora. A festa já deu no saco. Tem no mínimo quatro minas que eu já peguei, mas to sossegado. Saudades da “patroa”.
Vamos até um lugar que serve pedaços de pizza e eu me perco no meu bairro. A Sweet Smell me liga carente, o namorado saiu fora e a deixou na mão de novo. Encontra a gente, me abraça. “Ok, baby, nosso tempo já passou”. Ela vai embora. Converso com os dois sobre desejo e fidelidade. O Pantera estuda sociais, mas só tira sarro de mim, ele acha que quero uma desculpa pra trair. Não preciso de desculpa, mas não é esse meu objetivo. Quero entender até onde somos animais. Vamos pra casa e uma voz grita meu nome na rua: Sweet Smell e sua amiga. Eu abro a janela
_Que música você quer que a gente cante?
_ ?
_Vou cantar uma do Roberto pra você: “Detalhes tão pequenos de nós dois...” É a amiga da Sweet, ela já ficou com o Gabriel.
_?
_Tem comida ai?
_Pão de forma, mas não é meu...
_Pão de forma, Ernesto? Que pobreza!
_Cantem pro Gabriel, vou lá chamar ele.
Vou até o quarto do Gabriel e abro a sua janela. O cara ta mal, amidalite fodida e fazendo frila até de madrugada. Ta desperdiçando o talento, deixando sua arte perdida no tempo. O cara é foda, mas pega muito trabalho pra fazer.
_Vamos na Funhouse, Ernesto?
_To de boa, meninas.
_Olha, Ernesto, seu porteiro ta xingando a gente....
_Ernesto, eu to aqui me humilhando porque você é meu grande amigo, você sabe que eu te amo, né?
Vão embora, o Daniel Galera estava lá junto. O cara escreve bem, queria mostrar meus contos pra ele... Vou ver se a Sweet Smell me arruma o telefone dele.
***
O ensaio nesse domingo foi zicado. O Titi chegou meia hora atrasado porque estava com uma mina. A baqueta da Ana voou 2 vezes durante o ensaio, cordas estouraram, foi bom pra gente ficar humilde. Vamos precisar de um bom tempo de ensaio pra poder tocar ao vivo. Volto pra casa. Pantera me liga para ir num bar, minha ex vai estar lá.
Chego no bar. Skol: três e alguma coisa. Bebo uma. Chega minha ex, um amigo e uma amiga. Não cabe todo mundo sentado. Vamos pra outro. Skol: 3 reais. Esse é o meu templo! A breja mais barata da Augusta, do lado de casa. Discuto com o cara:
_Por que sempre acontece tumulto no show dos Racionais?
_A polícia começou a bater.
_Tinhas uns caras em cima da banca, eles pularam nos apartamentos depois.
_Os apartamentos estavam vazios e isso rolou durante o show da Nação, não no show dos Racionais.
_Cara, dava pra ver que ia dar merda. Eu fui embora bem antes por causa disso.
_Você acha que a polícia está certa?
_Não vou defender a polícia... Mas os caras não precisavam atrasar uma hora e meia o show.
_Eles deram espaço para uns artistas novos se apresentarem. Tava escrito na programação: Racionais e convidados.
_Sei lá, às 3 da manhã, ninguém queria ver os convidados... E o discurso do Brown não ajudou...
_Agora você vai culpar o discurso dos caras? Os Racionais retratam a realidade, mas pregam a paz...
_O Thaíde e o Rappin Hood criticaram a postura do Brown. Essa pancadaria no centro queimou o filme do hip-hop.
_Desculpa, Ernesto, mas não concordo com você... Meninas vamos embora?
Fiquei me sentindo mal. Um branquelo classe média, falando mal de Racionais para um negro da Zona Leste. Cor e classe social não deviam importar nessas horas, mas me senti afinado com o discurso do “medo branco”. Será que estou virando bundão? Virando casaca? O duro é abaixar a cabeça para os discursos sem questionar nada. Tanto de um lado quanto de outro. Não consigo concordar que sempre a esquerda vai estar certa. Parece que tem alguns ícones que você não pode criticar. Fiquei meio bolado e eles foram embora. Chegou uma outra amiga minha, mulata, mas não fã de Racionais. Tomamos mais duas: eu, ela e o Pantera. A galera tava indo embora e o bar estava fechando. Fomos pro bar do “x-diarréia”. Uma breja e um conhaque. Acabou a cerveja de garrafa. Eu e o Pantera fomos pro bar da frente. Skol:.3,70. Pedi duas fichas de uma vez.
_Velho, você não quer fazer teatro?
_Tenho que conciliar com o trabalho, né, Panters?
_Pois, é. Se essa bolsa de mestrado não sair vou ter que arrumar um trampo. Vê se me arruma uns frilas ai...
_To fazendo sua fita lá na editora. Mas acho que a gente vai acabar largando o jornalismo. A gente é bom mesmo em ser palhaço.
_O foda é que a gente escolheu jornalismo achando que ia conseguir se manter, ter um emprego estável, mas se é pra viver mais ou menos prefiro ser artista.
Uma mulher interrompe nossa conversa:
_Boa noite, vão querer uns cigarros naturais? _ Era uma tia de 48 anos. Branca, gorrinho enfiado nos cabelos castanhos, cachecol, agasalho, sacolas.
_Só curto o cigarrinho do diabo...
_Não existe cigarrinho do diabo, isso aqui é cigarro do bem.
_Mas quem disse que o diabo é mal? Quem inventou isso? Lúcifer era um anjo...
_Olha só, chega de papo furado que isso não enche a barriga de ninguém. Tenho que juntar 30 conto pra pagar o hotel que eu e meu filho moramos. Tenho o cigarro que você quer, é metade haxixe.
_Quanto?
_Dez.
_Dez? Ta louca?
_Meu fumo é de primeira, vendo pro Otto, Zezé Di Camargo, vários cineastas. Você não vai se arrepender.
_Pô, nunca paguei tão caro num baseado...
_Esse aqui não é um baseado normal, quer ver? Fuma essa ponta.
Já estava bem torto. Cervejas e cervejas, conhaque. Nem lembrei que estava no meio do bar. Ela acendeu uns incensos e depois o beck. Bateu forte. Demos os dez mangos. Falamos que ela ainda ia ouvir falar da gente:
_Punk brega, a música popular undeground.
Sai correndo com o copo de breja na mão. Frio desgraçado, quase congelando. Entramos em casa: o Gabriel fazia um frila. Chamamos o cara, acendemos o baseado. Nunca tinha fumado nada tão bom. A melhor brisa da minha vida. Chapei, coloquei as meias na orelha e viajei. Comemos dois potes de sorvete, macarrão com calabresa e pizza. 4:30h da manhã de um domingo. Tinha que acordar 9:30h pra trabalhar. E segunda feira tinha mais uma rodada de pinga e cerveja com a banda. Mas ai foi só Skol por 3 reais.
07/06/07
-Pantera também foi comigo pro Fórum Social Mundial em 2005.
Cuspido por
Di Giacomo
às
15:41
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