the important
thing
is
the obvius
thing
that
nobody
is
saying
Tirado do livro "Septuagenarian Stew", que li recentemente. Lembra a frase do Schopenhauer que é mote da campanha da Super: “pensar o que ninguém pensou sobre algo que todos veem”.
(Se for pra traduzir literal:
"Sempre"
A coisa
importante
é
a coisa
óbvia
que
ninguém
está
dizendo)
16.3.10
Always - Charles Bukowski
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19.1.10
Eva Sangra - Ana Alice
Eva sangra
E a culpa é toda dela.
Ela menstrua
Cão que não veio, pela comida fora da panela.
Eva está grávida de si mesma, e a culpa é toda dela.
Apedreja, vai. Eva não fecha a janela.
Ela abre seu ventre até que ele amarela.
Aproveita pra cuspir tudo aquilo que você detesta nela.
Não há reação, ela ouve sentinela
E ainda pára pra pensar!
Mas a culpa é toda dela.
Todinha, todinha, doidinha dela!
Ana Alice Gallo nasceu em Ribeirão Preto, vive em São Paulo e, além de escrever poeminhas bacanas, a menina é baterista e jornalista. Ela toca nas bandas Milhouse e Liga das Senhoras Católicas. Você pode ler mais textos dela no brog Credencial Tosca.
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28.12.09
Charles Baudelaire - As Flores do Mal
-Augusto dos Anjos, poeta da ciência e dos vermes
Lesbos
Mãe dos jogos do Lácio e das gregas orgias,
Lesbos, ilha onde os beijos, meigos e ditosos,
Ardentes como os sóis, frescos quais melancias,
Emolduram as noites e os dias gloriosos;
Mãe dos jogos do Lácio e das gregas orgias;
Lesbos, ilha onde os beijos são como as cascatas,
Que desabam sem medo em pélagos profundos,
E correm, soluçando, em maio às colunatas,
Secretos e febris, copiosos e infecundos,
Lesbos, ilha onde os beijos são como as cascatas!
Lesbos, onde as Frinéias uma à outra esperam,
Onde jamais ficou sem eco um só queixume,
Tal como Pafos as estrelas te veneram,
E Safo a Vênus , com razão, inspira ciúme!
Lesbos, onde as Frinéias uma à outra esperam,
Lesbos, terra das quentes noites voluptuosas,
Onde, diante do espelho, ó volúpia maldita!
Donzelas de ermo olhar, dos corpos amorosas,
Roçam de leve o tenro pomo que as excita;
Lesbos, terra das quentes noites voluptuosas,
Deixa o velho Platão franzir seu olho sério;
Consegues teu perdão dos beijos incontáveis,
Soberana sensual de um doce e nobre império,
Cujos requintes serão sempre inesgotáveis.
Deixa o velho Platão franzir seu olho sério.
Arrancas teu perdão ao martírio infinito,
Imposto sem descanso aos corações sedentos,
Que atrai, longe de nós, o sorriso bendito
Vagamente entrevisto em outros firmamentos!
Arrancas teu perdão ao martírio infinito!
Que Deus, ó Lesbos, teu juiz ousara ser?
Ou condenar-te a fronte exausta de extravios,
Se nenhum deles o dilúvio pôde ver
Das lágrimas que ao mar lançaram os teus rios?
Que Deus, ó Lesbos, teu juiz ousara ser?
De que valem as leis do que é justo ou injusto?
Virgens de alma sutil, do Egeu orgulho eterno,
O vosso credo, assim como os demais, é augusto,
E o amor rirá tanto do Céu quanto do Inferno!
De que valem as leis do que é justo ou injusto?
Pois Lesbos me escolheu entre todos no mundo
Para cantar de tais donzelas os encantos,
E cedo eu me iniciei no mistério profundo
Dos risos dissolutos e dos turvos prantos;
Pois Lesbos me escolheu entre todos no mundo.
E desde então do alto da Lêucade eu vigio,
Qual sentinela de olho atento e indagador,
Que espreita sem cessar barco, escuna ou navio,
Cujas formas ao longe o azul faz supor;
E desde então do alto da Lêucade eu vigio
Para saber se a onda do mar é meiga e boa,
E entre os soluços, retinindo no rochedo,
Enfim trará de volta a Lesbos, que perdoa,
O cadáver de Safo, a que partiu tão cedo,
Para sabe se a onda do mar é meiga e boa!
Desta Safo viril, que foi amante e poeta,
Mais bela do que Vênus pelas tristes cores!
- O olho do azul sucumbe ao olho que marcheta
O círculo de treva estriado pelas dores
Desta Safo viril, que foi amante e poeta!
- Mais bela do que Vênus sobre o mundo erguida,
A derramar os dons da paz de que partilha
E a flama de uma idade em áurea luz tecida
No velho Oceano pasmo aos pés de sua filha;
Mais bela do que Vênus sobre o mundo erguida!
- De Safo que morreu ao blasfemar um dia,
Quando, trocando o rito e o culto por luxúria,
Seu belo corpo ofereceu como iguaria
A um bruto cujo orgulho atormentou a injúria
Daquela que morreu ao blasfemar um dia.
E desde então Lesbos em pranto lamenta,
E, embora o mundo lhe consagre honras e ofertas,
Se embriaga toda noite aos uivos da tormenta
Que lançam para os céus suas praias desertas!
E desde então Lesbos em pranto lamenta!
As Flores do Mal
Este clássico, do tipo que parecem várias obras numa só, é composto por 159 poemas divididos entre “Ao Leitor”, “Spleen e Ideal”, “Quadros Parisienses”, “O Vinho”, “Flores do Mal”, “Revolta”, “A Morte” e “Poemas acrescentados na edição póstuma”. Todas poesias são escritas em francês, com exceção de “Franciscae Meae Laudes”(latim) e de um tradução do inglês omitida na edição brasileira(Le Calumet de Paix).Percussor do simbolismo e chamado de “poeta da modernidade”, Baudelaire traz ainda em seu livro, de 1857, ecos do ultra-romantismo da geração “Mal-do-século” e vestígios do Parnasianismo em suas descrições de obras de arte e hinos à beleza, além do rebuscamento das rimas. A oposição “luz/trevas”, “Deus/Satã”, “morte/vida” é constante. Alguns poemas são descrições de quadros(Baudelaire foi crítico de arte), muitos têm referências à mitologia grega e a passagens bíblicas, além de referências literárias variadas. Gatos, vermes e vampiros são figuras constantes. 3 dos “Quadro Parisienses” são dedicados ao escritor Victor Hugo.A Negação de São Pedro
O que há de fazer Deus do fluxo de heresias
Que sempre vai subindo às suas mansões brandas?
Tirano a se saciar de vinhos e viandas,
Dorme ao doce rumor das blasfêmias mais frias.
Os soluços dos que foram martirizados
São uma sinfonia embriagadora e augusta,
Pois, apesar do sangue que a volúpia custa,
Jamais deles os céus se sentiram saciados!
- Recorda-te, Jesus,da cena do horto, quando
Imploravam a orar os teus joelhos escravos
Ao que no céu se ria do rumor dos cravos
Que em tua carne punha algum algoz infando;
Quando viste escarrar na tua divindade
A crápula, a ulular, da guarda e do bordel,
E sentiste o amargor do vinagre e do fel
Na boca em que vivia a imensa humanidade;
E quando a lentidão de teu corpo partido
Teus braços alongava e teu suor e teu sangue
Eram destilação de tua fronte langue,
E quando foste a cada um em alvo erigido,
Estavas a pensar no dia de recamos
Em que vieste a cumprir a promessa eternal,
E pisavas, montando o mais meigo animal,
Caminhos que eram luar de flores e de ramos,
Em que, o teu coração imenso de esperança,
Para expulsar os vendilhões foste violento
E no teu templo enfim? Ah, o arrependimento
Teu flanco não entrou mais fundo do que a lança?
- Por certo eu sairei, quanto a mim satisfeito
Deste mundo em que ao sonho a ação não é associada:
Possa eu usar da espada e morrer pela espada!
- Pedro negou Jesus... e foi muito bem feito!
Charles-Pierre Baudelaire (Paris, 9 de Abril de 1821 — Paris, 31 de Agosto de 1867) foi um poeta e teórico da arte francês.-Leia "Um Visão Memorável", de William Blake
O Vampiro
Tu que, como uma punhalada,
Entraste em meu coração triste;
Tu que, forte como manada
De demônios, louca surgiste,
Para no espírito humilhado
Encontrar o leito e o ascendente;
- Infame a que eu estou atado
Tal como o forçado à corrente,
Como ao baralho o jogador,
Como à garrafa o borrachão,
Como os vermes a podridão,
- Maldita sejas, como for!
Implorei ao punhal veloz
Que me concedesse a alforria,
Disse após ao veneno atroz
Que me amparasse a covardia.
Ah! pobre! o veneno e o punhal
isseram-me de ar zombeteiro:
"Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro.
Ah! imbecil - de teu retiro
Se te livrássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!"
-Quer ler mais poesias?
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10.12.09
RAP - Poesia
Eu não tinha estudo então fiz um rap.
Para todos os bandos de moleque.
Que como eu andaram descalços
Para os condenados presos no cadafalso.
Pra todo mundo que deveria não ser, mas foi.
Todo um mais um que não é dois
Toda rima pobre que emociona
Toda falta de lirismo que questiona.
Um dia eu também estive na fila esperando.
Um exame, um documento, uma noite sonhando.
Usando aquela roupa maior dada como esmola.
Assistia aos meninos do bairro cheirando cola.
Para todo mundo que deveria estar preso e é poeta.
Todo louco que virou um pouco profeta.
Todo analfabeto que ensina
Todo puta que é menina.
A beleza do mundo é difícil de perceber.
Morrer não é difícil, é bem mais fácil que viver.
A poesia da vida é assim real.
Como esse poema fraco e sem final.
-Leia mais poesias
-"Tiros, tretas e vagabundagem"
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2.12.09
Drogas
-Poema originalmente publicado no Clube de Ideias
Já tomei cerveja, pinga e conhaque
Tracei whiskey, vodka e Prozac
Azpraz, marijuana, lança perfume
Bolonha, haxixe e estrume
Novelas, tequila, absinto
Sermões, pornografia e sinto
Ainda sinto a mesma dor que me mantém ligado
Não consigo dormir, não fico parado
Não vou me matar, não vou desistir
Não vou enlouquecer, nem deixar de sorrir.
Sou igual a todos na doença e na glória
Minha única diferença é minha memória.
Não esqueço um segundo as dores do mundo.
Insisto em dar luz a este existir vagabundo
-Outras poesias freakies
Frico atualiza o Punk Brega religiosamente a cada dois dias, além de tentar manter vivos o Clube de Ideias e os blogs de suas bandas. Deixa um comentário aí pra ele continuar fazendo seus rabiscos, nem que seja propaganda de dentista.
-Uma canção para São Paulo
-A poesia beat de Ferlighetti
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29.11.09
Três - Ana Alice
O tempo que lhe cabe
Pra fazer
Dois
É o mesmo de correr o risco
de ser
um.
E todo
Em parte
Tripartido
Pelo ir
Vir
E encontrar.
Mas se não der
Azar.
Ana Alice Gallo nasceu em Ribeirão Preto, vive em São Paulo e é canhota, além de escrever poeminhas bacanas, é baterista e jornalista. Evita o estresse com doses de zen drugs e toca nas bandas Milhouse e Liga das Senhoras Católicas. Leia mais textos dela no brog Credencial Tosca.
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24.11.09
Augusto dos Anjos - Eu e outros poesias, 1912
-Leia "Uma Visão Memorável" de William Blake
-Poema: "Meu medo"
Versos Íntimos
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Eu e outras poesias
"Eu" é o único livro publicado em vida pelo poeta paraibano Augusto dos Anjos. Mistura de técnica parnasiana com temas simbolistas e que acabou classificada na segunda metade do século XX como "pré-modernista", sua poesia se tornou popular apenas após a morte do autor.
O livro foi publicado de forma independente no Rio de Janeiro, em 1912. Após a morte de Augusto, foi lançada uma nova versão da obra com poemas inéditos que ficou conhecida como "Eu e outras poesias".
-Quer mais poesias?
Versos a um coveiro
Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!
Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!
Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tábidos carneiros sepulcrais
Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!
Augusto dos Anjos
Poeta queridinho de punks e góticos, Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos(Sapé, 20 de abril de 1884 — Leopoldina, 12 de novembro de 1914) formou-se em Direito, mas nunca exerceu a profissão. Dedicou-se ao magistério e chegou a ser diretor de uma escola. Morreu jovem, em decorrência de uma pneumonia. Uma das principais características de sua poesia é o uso de termos populares mesclados com expressões científicas/eruditas.
- Poesia punk, vai encarar?
Ao Luar
Quando, à noite, o Infinito se levanta
À luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha tátil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinitésimo e o Indeterminado...
Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o Espaço com a minha plenitude!
-Autores consagrados
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20.11.09
Meu Medo
Tenho andado com medo...
“Medo de que?”
Medo da vida
da dívida
da dúvida.
Medo de tudo
do tempo
do vento.
Medo do Cristo
da crise
do sisto
Medo do erro
de ser
desejo
Tenho medo do erro,
E erro ao ter medo
Tenho medo do que não entendo,
E não entendo o medo.
Tenho medo da morte,
E morro de medo.
Meu erro
O medo.
Frico é poeta, jornalista, blogueiro, baixista. Ele gosta que as pessoas deixem comentários para suas poesias. COMENTA AÍ!
-Clube de Ideias: Novos artistas, poetas e cineastas
-Uma canção para São Paulo
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15.10.09
Um parque de diversões da cabeça - Lawrence Ferlinghetti
post originalmente publicado no Clube de Ideias
Selecionei aqui três poemas do livro "Um parque de diversões da cabeça" e mais alguns quadros do poeta beat Lawrence Ferlinghetti
10.
para escolher o que há de ficar eterno
poderá desvanecer-se
No entanto dormi com a beleza
Na confeitaria barata para além do El*
foi onde pela primeira vez
daquele entardecer de setembro
Um gato deslizava sobre o balcão entre
Lá fora as folhas caíam ao morrerem
O vento soprava para longe o sol
Uma garota entrou apressada
O cabelo molhado pela chuva
Seus seios sufocando na loja minúscula
Lá fora as folhas caíam
e gritavam
*El: a elevada do metrô.(N. do T.)
Dove sta amoré
Donde está o amor
Dove sta amoré
Aqui jaz o amor
Amora jazz amor
Num lírico encanto
Cantos de amor da serra
Canto que em si se encerra
Cantos de cor singela
Cantos de dor sincera
À noite pelos cantos
Dove sta amoré
Aqui jaz o amor
Amora jazz amor
Aqui jaz o amor
Um vídeo:
Participação do poeta com "Last Prayer" no último show da The Band, grupo que ficou famoso por acompanhar Bob Dylan
-Conheça o livro "O uivo" de Allen Ginsberg
-"Flashbacks: Surfando no Caos", autobiografia de Timothy Leary
Uma imagem:
-Conheça "Trópico de Capricórnio" de Henry Miller, lançado nos EUA por Lawrence Ferlinghetti
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