Hoje é sexta-feira. Nós entramos com o vídeo e você com a cerveja.
Tecnicamente, Bukowski nunca será considerado o maior escritor de sua época. Muitas vezes seu nome não aparece nas listas de "100 melhores livros da história", que consagram a virtuose de James Joyce ou Proust. Mas então, o que o faz tão popular? Sua fragilidade? A possibilidade de ele ser qualquer um de seus leitores comuns, falando sobre gente comum? A crueza das suas histórias?
"Born Into This" não traz todas essas respostas, mas é um belo documentário sobre o escritor americano. Uma bela introdução à sua vida e à sua obra. Conta com declarações de amigos, editores e fãs famosos como Bono Vox, Tom Waits e Sean Penn.Traz cenas de seus recitais(que pareciam shows), fotos antigas e entrevistas de diferentes épocas.
Se você não puder alugar ou comprar, baixe. Tenho certeza que o velho Buk te perdoaria. ;-)
Veja também:
-Assista um animação feita sobre poema de Buk
-Resenha do livro "Misto Quente"
-Frases do velho safado
23.4.10
Bukowski - Born Into This, Trailer
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Di Giacomo
às
09:37
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16.3.10
Always - Charles Bukowski
the important
thing
is
the obvius
thing
that
nobody
is
saying
Tirado do livro "Septuagenarian Stew", que li recentemente. Lembra a frase do Schopenhauer que é mote da campanha da Super: “pensar o que ninguém pensou sobre algo que todos veem”.
(Se for pra traduzir literal:
"Sempre"
A coisa
importante
é
a coisa
óbvia
que
ninguém
está
dizendo)
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Di Giacomo
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17:47
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15.6.09
"Pulp" - Charles Bukowski - Resenha
por Fred Di Giacomo

-(...). Eu sou boa.
-Em quê? Sabe estenografia?
-Não, mas faço coisas pequenas ficarem grandes
-Como?
-Você sabe!
-Não, não sei.
-Imagine.
-Balões?
-Você é engraçado.
-Já me disseram.
-Leia resenha de "Misto Quente", de Bukowski
-Leia resenha de "Cartas da Rua", de Bukowski
-Leia contos aqui
A história começa bem, com uma sensual “Dona Morte” encomendando um serviço surreal a Belane. Ela precisa encontrar Celine, o escritor francês maldito que influenciou toda uma geração de escritores marginais, em especial Bukowski, e morreu em 1961. “Celine está morto” tenta se convencer Belane, mas não adianta ele tentar colocar ordem no que vai acontecer em “Pulp”, cada vez mais seus casos vão ficando obscuros, incluindo alienígenas, uma deliciosa mulher que estaria traindo o marido e principalmente misterioso Pardal Vermelho – uma possível referência a editora de Buk, Black Sparrow, ou ao maior clássico dos livros de detetives modernos, o “Falcão Maltês”.
No entanto, o excesso de referências à subliteratura(a quem o autor dedica a obra) e a fantasia e filmes B, acaba tornando o meio do livro um pouco esquizofrênico, um excesso de sátira que impede que ele chegue ao nível dos melhores Bukowskis como “Misto Quente” ou “Fabulário Geral do Delírio Cotidiano”. É como o caso de Quentin Tarantino em “Kill Bill” ou “Grindhouse”. Tarantino também dedicou um filme (“Pulp Fiction”) ao gênero pulp - revistas feitas com papel de baixa qualidade (a "polpa") a partir do início da década de 1920, que geralmente tratavam de ficção científica e fantasia. Seus dois primeiros filmes foram aclamados como obras-primas, mas apesar do sucesso de Kill Bill, há um excesso de referências ali que quase soterra o filme. Na ideia de homenagear um gênero menor, o autor acaba fazendo mais uma grande sopa de referências e piadas internas àquele gênero do que uma grande obra.
Bom, mas além de ser o livro mais “pretensioso artisticamente” de Buk, com bons momentos como o sonho maluco que Belane tem no capítulo 17, “Pulp” vale por ser o romance onde o autor se despede da vida. Por trás de todos os personagens frakies e diálogos divertidos, “Pulp” é um livro sobre a morte. Talvez por isso o autor tenha adotado a ficção desta vez. Ninguém pode contar o próprio fim sendo realista. Se em “Misto Quente” ele narra sua infância, em “Cartas na Rua” seu trabalho como carteiro e em “Hollywood” sua experiência como roteirista de cinema, aqui Bukowski nos fala sobre a velhice e o fim da vida(“Pulp” é o último romance dele e foi concluído alguns meses antes de sua morte em março de 1994.) Nisso, ele se assemelha ao livro póstumo, que conta com ilustrações de Crumb, “O Capitão saiu e os marinheiros tomaram conta do navio”, o mais filosófico de Bukowski. E é no final do livro que ele volta a crescer. O capítulo 39 é uma poderosa descrição de como o autor se sente em relação à vida. Começa com Belane entre suas duas clientes gostosas/misteriosas: “Ali estava eu, basicamente, sentado entre o Espaço e a Morte”. E depois “Porque eu não podia simplesmente ser um cara assistindo a um jogo de beisebol?(...) Por que eu não podia ser um galo num galinheiro, catando milho?” Buk nunca conseguiu ser um cara comum, “um galo no galinheiro”, sempre se sentiu um estrangeiro numa sociedade que não fazia o menor sentido pra ele. A vida funcionava como a relação entre Belane e os mendigos que lhe pediam dinheiro: “Às vezes eu dava e às vezes não”.
Como termina a contracapa citada no começo dessa resenha: “Tomara que a morte estivesse linda, gostosa e sexy – como está nesta história- quando encontrou o velho Buk poucos meses depois de ter posto o ponto final nesta pequena obra-prima”.

"Sempre fui de perna. Foi a primeira coisa que vi quando nasci. Mas então eu tentava sair. Desde então, tenho me virado no sentido contrário, e com um azar dos diabos."
Charles Bukowski, Pulp.
-Conheça Chester Himes, escritor de livros de detetives
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Di Giacomo
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17:49
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