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29.4.10

A difícil vida de um comunista ateu - Doo

Quinta é o dia de mostrar o que garimpamos nos blogs e flickrs dos novos artistas

Clique na tira para ampliá-la

Doo publica suas tiras semanalmente no blog Comunista Ateu e avisa: "Caso você se sinta de alguma forma ofendido ou discriminado pelo conteúdo dos reclames do "Comunista", releia o quadro. Se porventura o desconforto persistir, reveja seus conceitos."

As tirinhas são, em geral, idealizadas e desenhadas por ele tentando evitar a preocupação de que elas agradem algum publico ou que passem a seguir alguma regra específica. Doo também costuma indicar livros e/ou filmes que dialoguem com as tirinhas como forma de ampliar o debate proposto.

Veja também:
-Chiclete com Banana: a revista mais porra louca dos anos 80
-HaiKais Animais: desenhinhos de Ale Kalko

13.3.10

Geraldinho - Glauco

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Acho que os primeiros quadrinhos que li na vida foram os do Geraldinho e os da Turma da Mônica, logo que me alfabetizei. Só que, enquanto a A Turma da Mônica era mais careta, o "moleque com a garrafinha na cabeça" era maluco, bagunceiro e nonsense. Seu mundo tinha umas cores esquisitas, e eu adorva ficar copiando o traço dele nos cadernos.

Geraldinho saía toda semana na Folhinha, o caderno infantil da Folha de S. Paulo. Hoje, eu nem me ligava mais tanto no trabalho do Glauco, mas quando ele morreu foi um bocado estranho. Como se um tio tivesse sido assassinado. Um tio malucão, engraçado, de quem você adorava as piadas quando era pequeno e que, agora, mesmo as piadas tendo perdido a graça, você ainda guardava carinho.

Pô, e os "Los Três Amigos"? Nunca mais teremos um revival da formação original...


É, vais fazer falta, Glauquito.



Veja também:

- Conheça a história da revista Chiclete com Banana, do Angeli

7.3.10

5 musas dos quadrinhos

Ranking com as maiores gatas das hqs. Produzimos o vídeo para o site da Mundo Estranho, no programa Hot 5. Acho que nunca chegou a ir ao ar.



Roteiro: Fred Di Giacomo
Voz: Gabi Portilho
Vídeo: Gasolina Filmes

30.1.10

“O Complô: a História Secreta dos Protocolos dos Sábios do Sião”, Will Eisner


Olhando para estante torta, cheia de livros e quadrinhos, que ocupa o quarto menor da minha casa, fiquei filosofando em cima de uma “profunda” questão: “quem seria equivalente aos Beatles no mundo das HQ’s”? Frank Miller é criticado por ter ficado muito pop, Manara carrega o estigma da sacanagem e Crumb é muito underground. Existe alguém influente, seminal e respeitado como o quarteto de Liverpool nos terrenos da nona arte? Bom, Will Eisner participou do surgimento da indústria dos quadrinhos em 1930, com “Sheena, Queen of the Jungle”, foi importante nos anos 40 com o revolucionário herói Spirit e ressurgiu, em 1978, com o conceito de graphic novel(romance em quadrinhos) . Hoje você pode ver suas obras no cinema ou no teatro, além de comprá-las nas melhores livrarias.

Tá, ok. Todo esse nariz de cera foi pra provar que, se Will Eisner é a encarnação dos reis do iê iê iê no mundo do Capitão América, “O Complô: a História Secreta dos Protocolos dos Sábios do Sião” é seu “Abbey Road”, seu canto do cisne. Mistura de romance histórico com grande reportagem, o livro de Eisner consumiu 20 anos de pesquisa e foi o ponto final de uma grande carreira que terminou com sua morte aos 87 anos.

-Outras resenhas

“Os protocolos dos Sábios de Sião” foram uma das maiores farsas da historia, um arremedo de teoria da conspiração criado na Rússia do começo do século XX, para usar os judeus de bode expiatório diante dos temores de um czar – Nicolau II - que seria derrubado pela Revolução Russa de 1917. O documento falso, escrito por Mathieu Golovinski, –supostamente um terrível plano judaico de dominação mundial – foi traduzido em dezenas de línguas ao redor do mundo, e serviu de justificativa para pogroms(assassinatos em massa de judeus) e até para o holocausto nazista de Hitler.

Eis as armas do autor contra a propaganda anti-semita: seu traço característico, o texto didático, a pesquisa rigorosa e as sequências de ação quase cinematográficas. Com esse arsenal, Eisner reconstrói os fatos históricos detalhadamente, na tentativa de calar uma das maiores mentiras da história. O esforço do velho Will não deve ser o suficiente para acabar com o preconceito irracional despejado contra o povo judeu, mas rendeu um belo retrato de uma história que simboliza o ditado nazista: “uma mentira repetida diversas vezes acaba se tornando verdade”.

Will Eisner trabalhou até os 87 anos
Veja também:
-Resenha de "Ódio", hq que retrata a geração grunge
-Conheça a história da "Chiclete com Banana"

29.7.08

Watchmen - Trailer

-Assista mais trailers

Tenho muito medo que o diretor de "300" estrague esse "crássico" do Alan Moore, mas o trailer está bem legal e eu to louco pra assistir o filme!



-Todos os posts sobre quadrinhos

31.5.08

Ódio, Peter Bagge

(Resenha originalmente publicada nos sites Zine Kaos e The Watchtower, 2003.)

Fede a Espírito Adolescente!!!
Quadrinhos grunges dão voz a geração perdida dos anos 90


por Fred Di Giacomo, eu mesmo

Literatura pop e listas dos 5 mais, sebos e vinis, garotas e álcool, estilo de vida rock n’ roll vivido por “adolescentes” de 32 anos e ódio. Os quadrinhos de Peter Bagge foram o maior sucesso da editora Fantagraphics e caíram nas graças de uma geração de losers fãs de rock independente, que viviam à base de subemprego e cerveja barata. Seu ícone seria o anti-herói Buddy Bradley rodeado por seus amigos freakies Funtum, George, Valerie (a namorada ninfomaníaca) e sua ex, Lisa . Buddy e o Ódio tiveram um significado semelhante para a geração de Seattle ao da revista Chiclete com Banana e do personagem Bob Cuspe, do quadrinista Angeli, para o punk tupiniquim.

Tudo cheira a vida real nas páginas de Ódio, seus traços exagerados, acentuando as expressões dos personagens, são influência do pai dos quadrinhos underground americano, Crumb, e sua narrativa ácida, mesclando escatologia com sacadas inteligentes, retrata fielmente o cotidiano dos jovens que como eu e você viveram os anos 90. As festas, os diálogos, as crises de relacionamento tudo leva a crer que o nanquim da caneta foi substituído por sangue humano, o cheiro de “pisicotrópicos”, fumaça de cigarro e cerveja é o mesmo das festas de repúblicas universitárias. As ambições de Bradley e seu amigo Funtum não são lá grande coisa. Bradley trabalha num sebo e Funtum vive de “bicos” , os dois sonham em ter um fanzine, mas mal conseguem decidir se irão escrever sobre rock ou sobre quadrinhos. Todo jovem envolvido com a “cultura alternativa” vai encontrar algum traço de sua vida na ponta da caneta de Peter Bagge.

Peter Bagge

A crítica se torna mais séria quando entram em cena os irmãos de Buddy: Butch e Babs (ele um jovem fascista americano e ela uma mãe solteira, convertida em fundamentalista cristã), e ai Bagge destila todo seu sarcasmo e ódio contra a sociedade americana. Desse sarcasmo não escapam ninguém, nem os pseudo-intelectuais como George, colega de Bradley, “um negro que não curte rap”, nem os integrantes da cena alternativa, nem mesmo o próprio autor, alter-ego de Buddy Braldley, retratado na última história do álbum , uma viagem surreal onde ele reflete sobre os caminhos de sua obra rumo a um apelo mais comercial e pop. Peter diz que não participou ativamente da cena grunge por já ter mais de 30 anos na época e “não gostar do cheiro de cigarro nos clubes de rock”, mas foi amigo de alguns dos principais participantes, tendo desenhado uma capa para a banda TAD. Antes de morar na Seattle do grunge, Bagge morou na Nova York do início dos anos 80 época do Punk e da New Wave.

Ódio foi publicado aqui pela Via Lettera, editora do veterano tradutor Jotapê Martins, em 2001 num álbum com 6 histórias longas e mais três curtas. Nos Estados Unidos, após uma crise semelhante a do já citado Angeli com a personagem Rê Bordosa, o autor resolveu “matar” a revista Hate (criada em 1990), transformando-a numa publicação anual, para não limitar sua arte a esses personagens e procurar novos rumos. Por trás de todo oba-oba em cima de seu parentesco com o grunge, de baixo da camiseta de flanela por fora da calça, o all star e o cabelo desgrenhado de Peter Bagge, Ódio tem como principal qualidade o fato de ser um retrato fiel e sem firulas de seu tempo. Uma fotografia do principal personagem da tragédia humana : o homem comum.
Fred Di Giacomo, 07/11/03

-Conheça a revista Chiclete com Banana

- Leia mais sobre quadrinhos!

-Punk rock

29.5.08

3 quadrinhos que você tem que ler!

3 quadrinhos que eu acho que não agradam só aos fãs de quadrinhos, mas são universais.


-Maus, Art Spielgeman:

É a única unanimidade dessa lista. Pra mim "Maus" é a melhor obra a retratar o nazismo, melhor que qualquer filme ou seriado de tv. "Maus" também é o único quadrinho que ganhou o Prêmio Pulitzer. Como diz o Gabes, fodaço!


-Epilético,David B:

História autobiográfica do quadrinista francês David B., que cresceu ao lado do irmão epilético e acompanhou toda a luta da família para tentar dar ao garoto uma vida normal. Desenhos simples, mas com estilo onírico e simbólico único. Só li o volume 1 até agora e confesso que não segurei a lagriminha que insistia a cair do olho. Vale guardar o dinheiro da breja do fim de semana pra comprar esse aqui.
-Avenida Dropsie, Will Eisner:
Pensei em finalizar com o "Minha Vida" do Crumb, mas é muito escatlógico e foge a essa categoria de "quadrinhos" universais. Se você curte Bukowski, ou contracultura, ou tem complexo de Édipo, ou gosta de acidez, fetiches e mulhers gordinhas leia o Crumb. Se você é normal leia Avenida Dropsie, porque Will Eisner é os "Bitou(Betle)" dos quadrinhos(Crumb é os Stones). A narrativa do cara é cinematográfica e suas histórias já foram adaptadas até pro teatro. Avenida Dropsie é sobre uma vizinhança, um bairro, mas não deixa de ser sobre o que as melhores histórias são feitas: seres-humanos

-Conheça a revista Chiclete com Banana do Angeli
-Quadrinhos eróticos

20.1.08

Chiclete com Banana - Angeli

Quase vinte anos depois o mundo dos quadrinhos não abortou outro feto tão engraçado.




Faltam quadrinhos nacionais nas bancas. Faltam boas revistas de humor também, se você tem mais de catorze anos e já não acha graça na MAD....Certa vez, numa palestra com o Fernado Gonzalez em Bauru, alguém propôs a ele fazer uma revista junto a outros cobras como Laerte e Angeli. Ele rodeou, rodeou, mas não conseguiu dar uma boa desculpa para não tocar o projeto. Por quê? Porque se alguma dia isso acontecesse seria um sucesso. Ou melhor, já foi.

Eram os anos oitenta e quadrinhos de massa no Brasil se restringiam a Turma da Mônica. Havia o punk, havia a "abertura política" e a cultura pop estava se espalhando pelo país. Fome e rock n' roll. Em meio ao caos, uma trupe de novos chargistas vindos do quadrinho político (entre eles Angeli e Laerte) se depararam com a contra-cultura (pelas mãos de Glauco) e passaram a espalhar seus rabiscos pelo país. Angeli foi o primeiro a lançar-se em vôos independentes. Desenhando na Folha de S. Paulo desde os 17 anos, ele publicou livros com suas charges que foram sucesso. Foi o estalo para que seu editor, Toninho Mendes, o convidasse para um título regular nas bancas em 1985.

-Conheça "Ódio" a HQ da geração grunge
-Mais posts sobre quadrinhos

A "Chiclete com Banana", bimestral, foi lançada pela editora Circo e era uma pérola de sarcasmo e bom humor. Tudo que a MAD brasileira fez depois estava lá, desde as tiras de uma página nas contra-capas às piadinhas com os preços passando pela sessão de cartas bem humoradas (ilustradas por desenhos toscos dos leitores) e pelos relatórios nonsense que o Ota copiou. Isso tudo pelas mãos de mais aplicado discípulo tupiniquim de Crumb: Arnaldo Angeli Filho.

A produção da Chiclete era tosca. Nada de pagemaker ou super equipes de arte, era tudo montado pelas mãos de Angeli num esquema que lembrava os fanzines de onde o próprio Angeli havia surgido(zine O Balão). No entanto, a primeira edição esgotou sua tiragem, que dobrou na segunda e na terceira novamente. A revista, que vinha com um selo de "aprovada no código de ética" para adultos, chegou à histórica marca de 110.000 exemplares, número nunca igualado por uma HQ independente no Brasil. As histórias recheadas de sexo, palavrões, drogas e violência podem não causar tanto arrepio hoje, mas na época eram um grito de subversão numa sociedade acorrentada por vinte anos de ditadura. O estilo underground da revista quebrava o padrão de humor brasileiro que não tinha nem nas tiras de Belmonte nem na turma do Pasquim um antecessor a altura da anarquia proposta por "Angel Villa". Com o crescimento da cria de Angeli, novos colaboradores deram as caras: Paulo Caruso, Glauco Matoso, Hubert, Glauco e Laerte. Esses dois últimos criaram com Angeli uma das mais bem sucedidas tiras do Brasil: Los Três Amigos, que estrearam em uma "edição especial em duas colores e dublada em portunhol e espanhes" na Chiclete com Banana número 20!



Los Três Amigos eram alter-egos dos autores, cada um com características de seus criadores: Angel Villa era o conquistador de araque, Glauquito o doidão e Laerton el maricon. Maricon no, transformista! Como ele mesmo dizia. Os mariachis assassinos distribuíram balas pelo México muito antes de Antonio Banderas e a "Balada do Pistoleiro". Assassinando Miguelitos (pequenos garotos com chapelão mexicano), atacando donzelas inocentes e enrabando seus cavalos, os três espalharam terror e risadas com seu humor ácido, violento e completamente sem moral. Ganharam posteriormente as páginas do caderno Folhateen por onde reinaram anos seguidos sempre gerando polêmica. Voltando a Chiclete com Banana...

A revista publicada pela Circo trazia além de charges, matérias humorísticas, fotonovelas, anúncios feitos especialmente para o Pasquim, entre outras porra-louquices. Os personagens clássicos de Angeli estavam todos nas páginas sangrentas da Chiclete, cada um representando um tipo comum na sociedade brasileira da época : Rhalah Rikota, Rê Bordosa, Walter Ego , Meia Oito e o punk Bob Cuspe. Bob era pra ser no começo uma sátira aos punk paulistas, mas seu criador acabou se identificando tanto com o personagem e a ideologia do mivimento que logo a revista se tornou a preferida de punks e headbangers. Muito antes da "Metalhead" e "Rock Brigade", fãs de rock mandavam cartas atrás de contato com outros fãs. Metaleiros pediam um personagem cabeludo e punks detonavam o sistema em cartas seriíssimas. Sintam o drama :

"A sua revista Chiclete é uma chance dada aos punks de todo o mundo. Agora, estes filhos da puta, metal, heavy, black, new waves, querem atrapalhar nosso espaço. Na MAD eles encontrarão um espaço, aqui não, fora, foraa, foraaa!"
Lula Borozão, Brasília, DF.


Ou

"Sou um black metal revoltado e acho pagode coisa de viado. Pau no cu dos pagodeiros".
EFA, Embu, SP.


Sem contar cartas enviadas por punks de um kibutz em Israel ou uma sessão toda destinada a cartas detonando a MAD. Surreal? O ano era 1987 e ainda tinha uma foto de uma leitora de costas mostrando a bunda ilustrando a página. Quem tem a manha hoje em dia? Quem tem a manha de detonar o Lulu "Argh" Santos com todas as letras e colocar Freud de moicano na capa??

As 52 páginas de cuspe na cara que saíam a cada dois meses duraram até a edição 22 e deram força para o surgimento de diversas outras publicações semelhantes como a revista "Circo" e a "Geraldão" (do Glauco), todas seguiam a linha inovadora criada por Angeli em sua revista. Ele mesmo admite que o seu caráter centralizador de querer fazer tudo sozinho acabou dificultando a produção regular do título; e também logo vieram as crises que abalaram a economia no final dos anos 80, diminuindo o poder de compra dos leitores ávidos por quadrinhos.



Plano Collor, sertanejo nas rádios, democracia. O cenário era diferente nos anos 90 para quem havia surgido na década passada. Não que os quadrinhos de Angeli não se atualizassem, mas o formato de revista regular se tornou inviável. Uma nova década viria junto com quadrinhos online e editoras especializadas em lançar álbuns de quadrinistas como Lourenço Mutareli, mas a Chiclete com Banana ficou na memória daqueles que puderam sentir o cheiro junkie do papel "pulp fiction" de suas páginas.

Veja também:
-Te gustas el punk rock?
-Homenagem ao cartunista Glauco


Frederico Di Giacomo Rocha
08 de Maio de 2004

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