Sim, nós amamos rankings. Até mesmo de rankings que fazem referência ao próprio conteúdo desse bloguinho maldito e nascoxa. Aí abaixo, vão os grandes campeões de audiência publicados em junho. Pare, relembre os absurdos aqui cuspidos e volte para sua rotina normal e tediosa. Rá! 1) Pitty - Musas Rock 'n' Roll Rá! Safadinhos vocês, hein? Entrando aqui só pra ver a Pitty peladona né?
O hip hop chegou no Brasil nos anos 80, numa transição do que era o black power dos anos 70, para o que seria o rap nacional. B.boys, MC's e alguns grafiteiros se reuniam no centro de São Paulo, perto da estação São Bento para dançar e trocar ideia sobre música. Em 1988, André Jung e Nasi, da banda Ira!, produziram a coletânea "Hip Hop Cultura de Rua" para o selo Eldorado. Foi o disco que lançou Thaíde e DJ Hum(com "Corpo Fechado") e Mc Jack(de "A minha banana"). Algum tempo depois, sairia "Consciência Black" estrelando Racionais Mc's e sua "Pânico na Zona Sul". Um dos primeiros hits do movimento foi a ingênua e dançante "Nome de menina" de Pepeu. Junto com nomes como Código 13 e Athaliba e a Firma, ele fazia o hip hop revezar crítica social com músicas dançantes e animadas. Nélson Triunfo era o grande nome do break e, nos anos 90, a cena cresceria muito com várias bandas gravando discos em todos os estados do Brasil, principalmente depois da forcinha dada pela estreia de Gabriel, o Pensador - um branco de classe média que ajudou a popularizar o som entre todas os grupos sociais.
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Quando eu fiz a lista dos 10 clássicos do rap nacional, meu critério foram músicas que foram importantes na época de seu lançamento, influenciaram outros grupos e ficaram na cabeça dos amantes do estilo até hoje. Mas faltaram alguns sons pioneiros, que hoje em dia não são mais tão lembrados, mas foram importantes por abrir caminho para tudo que veio depois. Desses, eu escolhi seis pra você curtir e relembrar. Aumente o som e divirta-se!
Bônus: Ndee Naldinho merece estar em qualquer lista de pioneiros do hip hop, sua história com o rap começa nos anos 80, quando a cena surgiu no Brasil. Como nasci em 84, só comecei a escutar som de verdade nos anos 90, quando descobri "Melô da Lagartixa" numa fita cassete de um camarada. Não achei a data exata da música, por isso deixei ela como bônus aqui nessa lista de sons das antigas.
Enquanto na vida real, os políticos ficam passando a bola da questão da legalização uns pros outros, na ficção os artistas já resolveram que está tudo liberado. Proporcionalmente à diminuição da presença do tabaco nos filmes, séries e quadrinhos, a marijuana tem tomado a ponta das drogas mais populares, tornando-se o verdadeiro cigarrinho de artista. Fizemos esta lista baseada em filmes, séries, quadrinhos e livros, confiando em nossa memória e baseado em que nós podemos fazer quase tudo.
5) Capitão Améria e Billy The Kid, “Easy Rider” – cinema
O filme é fruto de uma viagem de Peter Fonda. E a gente pode dizer isso literalmente. O ator contou para o escritor Lee Hil no livro “Sem Destino” (Editora Rocco) que teve a ideia para o roteiro do longa em 1967, após fumar um baseado e olhar o cartaz de divulgação de “The Wild Angels” – longa sobre uma gangue de motoqueiros que ele atuou em 1966. Em Easy Rider, os personagens Capitão Améria e Billy The Kid cruzam os EUA de moto. Assim como o filme, o clima das gravações também foi totalmente hippie: o ator Jack Nicholson já revelou em entrevistas que na famosa "cena do mato" fumou cerca de cem (!!!) baseados. Easy Rider foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 1970. O enredo não ganhou o prêmio da Academia mas com certeza merece o título de filme mais maconheiro de todos os tempos.
4)Wood e Stock – Quadrinhos
Eles pediram carona, fumaram maconha, usaram sandálias de couro, fumaram maconha, tocaram rock 'n' roll, fumaram maconha e... envelheceram!(Mas continuam fumando...) Wood & Stock são uma versão nacional de Cheech & Chong, só que 30 anos mais velhos. Criados pelo quadrinista Angeli, a dupla de "eternos hippies carecas cabeludos" já queimou estoques quilométricos de "orégano" em tirinhas, álbuns de quadrinhos e no longa-metragem de animação "Wood & Stock - Sexo, óregano e rock 'n' roll", que contou em sua trilha sonora com doidões da estirpe de Arnaldo Baptista, Rita Lee e Júpiter Maçã.
3) Eric, Fez, Kelso e Hyde, That’s 70 Show – Séries de TV
Como a própria Kitty, mãe da família Foreman disse: “Nosso porão parece Amsterdã”. Sim, a série retratava os anos 70, mas nunca se viu tanta gente chapada no horário nobre americano e nem por tanto tempo! Durante oito temporadas, a série retratou o dia-a-dia de um grupo de adolescentes em Wisconsin, EUA. Entre calças boca-de-sino, pôster das Panteras e uma trilha sonora cheia de rocks psicodélicos estilo The Who, Led Zeppelin e Stones, Eric Foreman e seus amigos ficaram boa parte dos oito anos da série no porão da sua casa, fumando muuuita maconha. As discussões chapadas sempre renderam cenas engraçadíssimas! Nunca teremos certeza, mas apostamos que a erva que eles fumavam na série era boa: afinal chegaram a dividir a roda com o legendário Tommy Chong, que fez participações especiais como o velho-hippie-malucao Leo.
Os alucinados Freak Brothers são os Irmãos Marx da contracultura. E olha que quem soltou essa ideia foi ninguém menos que o gênio dos quadrinhos Alan Moore. Gerados no final dos anos 60, inspirados por filmes de humor preto e branco e pelo movimento hippie, os Freak Brothers foram um sucesso enfumaçado das HQs undergound americanas. Fat Freddy era o gordo laricado, Phineas uma versão freakie do Rolo de Maurício de Souza e Freewhelin ' Franklin o radical de esquerda que comandava o trio. A grande missão dos três era arrumar bagulho, escapar da polícia e, nas horas vagas, revolucionar o mundo.
1)Cheech & Chong – Cinema
Até o D2, mais notório maconheiro do Brasil já fez uma referencia a dupla que ficou em primeiro lugar no nosso ranking. Afinal, ele canta que “continua queimando tudo como Cheech e Chong”. Juntos, a dupla de atores Richard "Cheech" Marin e Tommy Chong fizeram dez filmes e devem ter fumado uma tonelada de maconha. Os longas viraram clássicos e os caras lançaram até dez álbuns com piadas e músicas. O primeiro dos filmes, "Queimando Tudo", é de 1978 e foi dirigido por Lou Adler. Parte da programação da madrugada do SBT por muito tempo, mostra a dupla se conhecendo: Cheech é Pedro de Pacas um cantor latino e Chong Anthony “Man” um cara de classe média, que largou tudo pra tocar bateria. Juntos, eles curtem “ficar com olhos de chineses” fugindo da polícia num carro “embaçado”. Depois de 20 anos separados, eles lançaram em 2010 o documentário "Hey Watch This", baseado na turnê Light Up America, show de stand up que eles estão apresentando pelos Estados Unidos. No caso de Cheech e Chong, a ficção se misturou com a vida real: os caras defendem a legalização da maconha, mas Chong deixa claro que largou a cannabis: “Fumei por 50 anos, mas parei quando fui preso [em 2003, por vender a droga pela Internet]. Na cadeia, me ofereciam maconha todos os dias, mas não fazia muito sentido desobedecer às leis atrás das grades. Virei quase um monge.” No caso de Cheech e Chong, parece que eles já queimaram tudo que tinham pra queimar.
A Rolling Stone americana - talvez a mais influente revista de música da história - publicou essa lista com os melhores bateristas(sim de rock 'n' roll, como sempre) da história. Acho que é o único desses rankings grandes de "melhores" do rock que tem um brasileiro - o ex-Sepultura Igor Cavalera.
-Mais listas Existem algumas unanimidades do hip hop nacional: mídia e fãs adoram Racionais Mc's, todos respeitam a história doThaíde, Sabotage virou herói, etc. Nada contra, os três são excelentes artistas brasileiros, mas sempre senti um pouco de preconceito com as grupos que incorporaram elementos de rock ao seu som, ou contra MC's que não tenham vindo diretamente das comunidades pobres. Por isso fiz a lista abaixo. Talvez, daqui uns anos, ela seja bem indexada no Google e gere polêmica. Muita gente pode reclamar: "Pô, o que esse cara entende de rap, deve ser mó playboy, etc." A intenção aqui não é cagar regra, mas provocar reflexão e tentar resgatar discos bons que não seguem a cartilha do hip hop nacional clássico. Quem não tiver preconceito vai se surpreender.
Faces do Subúrbio - Faces do Subúrbio
Lançado originalmente de forma independente, o disco de estreia dos recifenses do Faces do Subúrbio misturava não só o rock com rap, mas também embolada(ritmo tradicional brasileiro que lembra o hip hop), acrescentando pandeiros à pick up e guitarras. A banda teve bastante destaque na onda do Mangue Beat, mas nunca chegou a ser popular em São Paulo. É um bom disco pra quem se interessa pela fusão de hip hop com ritmos nacionais.
Seguindo na mistura de ritmos nativos com as batidas do rap, encontramos "Eu tiro é Onda", primeiro álbum solo de D2 e pioneiro na mistura de hip hop com samba e bossa nova. "Pô, cara, mas D2 injustiçado?", você pergunta. Obviamente o MC carioca fez muito suesso com seu segundo álbum("A procura da batida perfeita"), mas muita gente do hip hop mais tradicional ainda torce o nariz pro D2, tanto por seu som ser mais pop, quanto por ele ter um passado roqueiro/mainstream.
Ouça: "1967", "Samba de Primeira", "Eu tive um sonho"
3)Cadeia Nacional - Pavilhão 9
Antes do fenômeno "Sobrevivendo no Inferno", o Pavilhão 9 foi o grupo de rap mais comentado de São Paulo. Venderam 10.000 discos rapidamente, foram capa da Veja SP e contaram com a participação de Marcelo D2, Nação Zumbi e Sepultura em seu terceiro disco. O grupo se apresentava mascarado e se servia de fartas doses de rock pesado para compor seu som. O problema é que a aproximação com o rock os afastou dos puristas do hip hop, mas não os habilitou para o sucesso no mundo rock 'n' roll. Perdidos entre duas tribos, o grupo deixou essa pancada clássica para quem não se importa com rótulos.
Ouça: "Mandando Bronca", "Opalão Preto" e "Otários Fardados".
4)Gabriel, o Pensador - Gabriel, o Pensador
A importância do primeiro disco de Gabriel, o Pensador pro rap brasileiro é análoga ao surgimento dos Beastie Boys nos EUA: "Rapper branco de classe média, em um momento em que o hip hop era visto com preconceito pela sociedade, consegue destaque com o som negro e abre caminho para as grandes bandas do gênero". É bobagem ficar menosprezando o trabalho do Pensador por sua classe social ou sua cor. Crítica, com rimas espertas e bases cruas, essa é uma das estreias mais impactantes da música brasileira e merecia ser respeitada como uma das boas bolachas do rap brasuca.
Saída das quebradas de Ceilândia, a banda liderada pela voz grave de X teve uma trajetória parecida com o Pavilhão 9. Começaram fazendo hip hop tradicional com DJ e depois acrescentaram guitarra, baixo, bateria e influências de rock pesado. Além dos grooves de "Esse é meu país" e "Círculo Vicioso", o disco conta com a sinistra "Um tipo acima de qualquer suspeita" sobre um tarado que ataca mulheres de todas as cidades até acabar na cadeia "chupando de todo mundo, chamando de meu bem". Um dos melhores e mais criativos álbuns de rap nacional
Hoje é sexta-feira, dia de vídeo em clima de azaração, paquera e Sérgio Reis cantando "não me interessa se ela é coroa, panela velha é que faz comida boa".
5.Sophia Loren 4.Vera Fischer 3.Angela Vieira 2.Monica Bellucci 1.Sharon Stone
Sim, sim, dava pra fazer umas 3 listas com clássicos do rap nacional. A primeira poderia ser só com as músicas do começo do movimento, de caras como Athaliba e a Firma, Pepeu e Ndee Naldinho. Outras poderiam trazer as que fizeram mais sucesso ou com as que foram mais influentes. Eu não pretendo rabiscar nenhuma dessas. A ideia aqui não foi listar as melhores, mas 10 músicas que marcaram época e que são conhecidas(ou deveriam) por todo mundo que curte hip hop. A maioria delas conseguiu ultrapassar a barreira de gêneros e fez sucesso fora do mundo do rap também. Tentei equilibrar aquelas boas pra animar bailes, com outras mais preocupadas em passar uma mensagem. Foquei no final dos anos 90 porque foi a época em que ouvi mais esse som, e é de lá que vem meu saudosismo com "um tempo bom que não volta nunca mais".
Diário de um detento - Racionais Mc's "Fim de semana no parque" foi uma das primeiras músicas dos Racionais que ouvi - no rádio mesmo - no meio dos anos 90. Eu era bem moleque e alguns anos depois eles estourariam com "Sobrevivendo no Inferno". Ouvi esse disco diversas vezes, prestando atenção em cada detalhe das letras. "Diário de um detento" virou, provavelmente a música mais conhecida do rap nacional. Do playboy do colégio ao empacotador do supermercado, todo mundo sabia a letra de cor. Tem outras boas mais antigas("Mulheres Vulgares", "Hey Boy", "Pânico na Zona Sul"), mas poucas marcaram tanto quanto esse relato do cotidiano no Carandiru.
Senhor Tempo Bom - Thaíde e DJ Hum Muita gente acha que o grande clássico de Thaíde é "Corpo Fechado" que saiu na coletânea "Hip Hop Cultura de Rua", de 1988. Ela tem sua importância pioneira, mas "Senhor tempo bom" se tornou um hino, uma homenagem funkeada aos clássicos black power que acabou se tornando, ela mesma, um clássico, animando bailes por todo o Brasil desde que foi lançada em 1996.
Rap é compromisso - Sabotage Infelizmente, Sabotage só lançou um disco em vida. Foi o suficiente para entrar pro pódio do hip hop nacional com uma cadência chapada nas rimas e influências de samba, chorinho e MPB que faziam a diferença em seus raps. Ao lado de "Respeito é pra quem tem" e "Um bom lugar", "Rap é compromisso" é uma das melhores composições que Sabota deixou antes de ser assassinado.
Fogo na Bomba - De Menos Crime "Fogo na Bomba" ultrapassou os limites do rap, virou grito de guerra de maconheiros espalhados por todo Brasil, ganhou espaço em show de rock e foi um dos grandes hits de 1999. Ralando desde 1987 em São Mateus, os manos do De Menos Crime fizeram muita gente que nem curtia hip hop ter o refrão dessa música na ponta da língua. Pra quem gostar vale ouvir "Burguesia" e "A Bola do Mundo"
Tic Tac - Doctors Mc's Tic Tac deve ter sido um dos clipes de rap mais exibidos no extinto Yo!, da Mtv. Pra mim ela tem um puta gosto de nostalgia. O Doctors normalmente fazia um som mais animado, bom pra galera bater cabeça, mas foi nessa baladinha bem-humorada que os caras conseguiram criar um clássico maior que a própria banda.
Us mano e as mina - Xis Outro megahit que ultapassou os limites do hip hop, "Us Mano e as mina" tinha a força de um refrão de torcida e fez a galera começar os anos 2000 cantando rap. Xis já estava na correria há anos, tocava a gravadora 4P com KL Jay, tinha passado pelo DMN e gravado "De Esquina", com Dentinho. Mas foi na simplicidade divertida dessa faixa que ele encontrou o caminho pro sucesso.
O Trem - RZO O RZO é respeitado por toda sua história, gravou diversas músicas, fez parcerias com artistas que vão de Charlie Brown Jr a Sabotage, passando pelo Instituto. A banda de Pirituba, revelou - também - o talento de Sabotage e Negra Li pro mundo. Mas pra mim, o grande momento dos caras é essa música, presente no disco "Todos são manos", de 1999.
Cada um por sim - Sistema Negro O Sistema Negro foi o responsável por colocar Campinas no mapa do rap. Em 1994, "Cada um por si" virou um clássico instântaneo das festas de hip hop - e do já citado Yo!. Diziam que o som dos caras era gangsta, mas as letras eram muito mais retrato e crítica da violência, do que a apologia que os rappers gringos faziam. Faz parte do disco "Ponto de Vista".
Casa Cheia - Detentos do Rap Antes de 509-E e outras bandas formadas na cadeia fazerem sucesso, o Detentos do Rap abriu caminho com "Apologia ao crime", gravado em 1998 na Casa de Detenção de São Paulo. O disco vendeu 30.000 cópias e tornou o refrão "É o Carandiru está de casa cheia/Muito veneno no ar/ e muita droga na veia" um crássico.
De Esquina - Dentinho e Xis Em 1997, os rappers Dentinho e Xis(então no DMN) se juntaram pra gravar esse rap que fala sobre a paranoia da cocaína. A faixa foi produzida pelo Thaíde, abriu caminho pra carreira solo de Xis e ganhou até versão samba na voz da cantora Cássia Eller.
5 músicas pioneiras do hip hop brasileiro Em breve uma lista com as músicas que marcaram o começo do gênero no Brasil com mais Thaíde e Racionais e também Pepeu, Athaliba e a firma, MC Jack e outros
Nos anos 80 o mundo viu o metal se popularizar e multiplicar-se em diversas vertentes. Foi nessa década também que o gênero começou no Brasil. Haviam três cenas no país: BH com suas bandas agressivas, o isolamento do resto do Brasil e a Cogumelo Records servindo como gravadora, loja e ponto de econtro; São Paulo com som mais trabalhado, tretas com punks e skinheads e as grandes galerias; e o Rio de Janeiro que era uma cena menor, mas tinha os pioneiros do Dorsal Atlântica, o Azul Limão e o Caverna 2 - pico dos headbangers locais. Outras sons pipocavam aqui e ali, como o Stress, que surgiu no Pará, mas o grande foco era em Minas Gerais e em São Paulo.
A cena teria um grande empurrão com a realização do festival Rock in Rio, em 1985, que trouxe Ozzy e AC/DC, mas também rendeu a infame alcunha de "metaleiros", dada aos cabeludos pela rede Globo. Segundo o polêmico João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, no livro "Sepultura: Toda a História": (...) em São Paulo, metaleiro era tudo riquinho, filhinho de papai, que andava de carrinho bacana e óculos espelhado. Cheguei na casa do Paulo(do Sepultura, em BH) e não acreditei: era uma puta favela!(...) Os moleques eram muito mendigos, usavam tênis rasgados com o dedão aparecendo.(...)Depois fui na casa do Max e do Igor. Juro que nunca vi tanta zona: tinha uns 50 metaleiros espalhados pela casa".
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A seleção de bandas abaixo é só uma amostra das dezenas que rolavam nos anos 80. Os vídeos históricos são divertidos e inusitados, mas muitos pecam pela má qualidade de som e imagem. Sim, alguns grupos ficaram de foram: Holocausto, Chakal, Anthares, etc, mas os que entraram na lista já dão um bom panorama do que rolou nos anos 80.
Azul Limão "Satã Clama Metal" era o hit! Banda formada entre 1981 e 1982, no Rio de Janeiro por Marcos Dantas e o baixista Vinícius Mathias, lançou dois discos: “Vingança” e “Ordem e Progresso”. Cantavam em português e faziam um som mais tradicional com influências da NWOBHM, do Judas Priest e AC/DC. Curiosidade:Se utilizavam do nome bizarro para tocar em lugares onde uma banda de metal nunca pisaria.(O que rendeu algumas tretas com organizadores de show inconformados com o peso da banda.)
Dorsal Atlântica Pioneiros da fusão de metal e hardcore, esse trio carioca, liderado por Carlos "Vândalo" Lopes, foi uma influência seminal pro Sepultura. Gravaram seu primeiro disco, "Ultimatum",em 1984, ao lado da banda Metalmorphose.Em 1998, um abaixo assinado com 40 mil assinaturas os levou a tocar no Monsters of Rock. Curiosidade: Sua singela marca registrada é a música PCD(Pau no cu de Deus).
Overdose Se o Korzus se aproximava mais da cena mineira pelo seu som pesado, no começo o Overdose estava mais próximo musicalmente dos headbangers de São Paulo. Cantando em português, com um som mais melódico e guitarras virtuosas, o grupo foi o primeiro a se destacar na cena de BH. Formado em 1983, debutaram num split ao lado do Sepultura e depois passariam a cantar em inglês, tornando seu som mais pesado. Em 1993, assinaram com uma gravadora internacional, o que lhes rendeu turnês pelos EUA, Canadá e Europa. Curiosidade: Tiveram o som sabotado, quando abriam o show para Ramones e Sepultura, em BH, o que provocou rusgas com a banda dos irmãos Cavalera.
Stress É curioso que a possível primeira banda de heavy metal do Brasil tenha surgido em 1974, no Pará. O Stress foi formado por roqueiros de Belém, numa época em que bandas como Casa das Máquinas e O Terço eram o que havia de mais pesado no Brasil. Fizeram seu primeiro show em 1977, e foram deixando seu som mais pesado e próximo do que seria o New Wave of British Heavy Metal. Em 1982, gravaram o primeiro disco solo de uma banda de heavy brasileira. E em 1985, lançaram o segundo pela Polygram. Curiosidade: Levaram 20.000 pessoas ao estádio "Cururu", no lançamento de seu disco, em 1982.
Sarcófago Sarcófago é uma das bandas mais peculiares da cena metal brasileira. Nunca chegaram a grande mídia como Sepultura, Ratos de Porão ou Viper, mas mantiveram uma áurea cult e grande influência em toda cena black metal mundial. Formada, em 1985, por Gerald "Incubus" Minelli, a banda longo contou com a entrada de Wagne"Antichrist" Lamounier, nos vocais e guitarra, recém saído do Sepultura em um treta que muitas vezes seria motivo pra porrada. Arquinimigos do Sepultura ou não, as duas bandas acabaram sendo as maiores expoentes da cena de BH. Umas mais undeground, a outra mais mainstream. Uma mais ligada as tendências, a outra fiel as raízes. As duas com seguidores no mundo inteiro e sua contribuição registrada no cenário internacional. Curiosidade: Mesmo sendo ignorados pelo mainstream tupiniquim, são considerados uma das primeiras bandas de black metal e um dos primeiros grupos a usar a batida "blast beat", contribuição do batera D.D. Crazy.
Viper Nos começo dos anos 90, o Viper foi a "segunda maior banda de metal do Brasil", com direito a excursão e disco ao vivo gravado no Japão. Formada em São Paulo, em 1985, pelos irmãos Passarell e o, então pirralho, André Mattos no vocal, o Viper chegou a ser chamado de "Iron Maiden Brasileiro", everedando depois para um metal mais melódico. Curiosidade: Com a saída de Mattos, o som do grupo teve fases mais simples e pesadas e acabou num disco obscuro, quase pop/rock, com direito a cover de Legião Urbana.
Korzus É uma das bandas mais tradicionais do thrash metal brasileiro, trazendo fortes influências de Slayer ao longo de sua carreira. Começaram em 1983, lançando os dois primeiros discos em português. Fizeram um show histórico no "Monsters of Rock", em São Paulo, em 1998, cuja gravação virou um disco ao vivo em 2000. Curiosidade: O guitarrista Silvio Golfetti, que teve que deixar a banda por causa de um problema no braço, substituiu Andreas Kisser, durante alguns shows do Sepultura na Europa.
Harppia O Harppia foi fundado em São Paulo, em 1984, e contou sempre com o baterista Tibério Correa Neto nas baquetas. É uma das dezenas de bandas que se candidatar a "primeira gravação de um disco de metal", por "A Ferro e Fogo", lançado pela Baratos Afins. Curiosidade: Por sua formação passaram diversos músicos da cena hard rock/metal paulistana, como o vocalista Percy Weiss, ex-Made in Brazil.
Sepultura Ok, talvez o Sepultura devesse ser hours concours e nem entrar nessa lista. Banda brasileira mais bem sucedida no mercado internacional, nome que virou sinônimo de som pesado no Brasil, o Sepultura começou de forma mambembe, em 1984, com os irmãos Cavalera e o amigoWagner Lamounier(Sarcófago) de cara pintada, braceletes nos braços e até uma peruca e capacete nazista - na cabeça de Igor. Logo passaram a cantar em inglês, gravaram um split com o Overdose em 1985(Bestial Devastation/Século XX) e o resto é história da Cinderela headbanger que todos conhecem. Curiosidade: Porra, o vídeo abaixo, onde você assiste a primeira formação clássica com Jairo T na guitarra.
Salário Mínimo Veteranos da cena paulistana, os caras do Salário Mínimo começaram a ralação em 1977 e participaram da crássica coletânea SP Metal Vol.1, em 1984. Liderados pelo vocalista figura China Lee, desde os anos 80, lançaram o disco Beijo Fatal em 1987, pela RCA e voltaram a ativa em 2004. Curiosidades: O fã clube da banda chegou a receber uma média de 2000 cartas por mês
Nesse blog(e na vida), nunca falo de futebol. Quando ele aparece em casa, só pode ser besteira mesmo. Esse vídeo foi feito pro site da Mundo Estranho, baseado numa pauta que saiu na revista há alguns anos. Abaixo o ranking pra quem tiver preguiça de assistir:
Tá, que merda, eu adoro uma lista. Lista de música então...E a BBC lançou agora o resultado da enquete que escolheu os melhores guitarristas dos últimos 30 anos. Abaixo os vencedores, votados por mais de 30.000 pessoas.
Serial killers. Um tema mórbido, mas que fez bastante sucesso quando lançamos o vídeo na Mundo Estranho e continua sendo bem assistido no Youtube. Espero que ninguém saia atirando na escola depois de ver isso, hehehe.
Vi que tem bastante gente pedindo legendas no vídeo em inglês, e a qualidade da imagem está bem ruim, então aí vai o resumo da ópera:
1)Thug Behram = 931 victims 2)Erzsebet Bathory = 650 victims 3)Pedro Alonso López = 300 victims 4)Harold Shipman = 215 victims 5)Henry Lee Lucas = 200 victims
PS: Ai, que saudade do meu cabelo :-(
Créditos: Roteiro e apresentação: Fred Di Giacomo Vídeo: Produtora Abril
Essa lista não pretende ser um top 6 melhores discos de jazz.
Eu não sou "entendido" em jazz.
Fui um adolescente punk e ,em geral, gosto de música redonda, feliz e cantarolável. Na verdade, quando era moleque eu odiava jazz. Era o som que meu pai colocava de manhã quando acordávamos para ir à escola. Eram os discos que ele deixava sempre rodando no carro. Não tinham distorção, refrões e muitas vezes nem vocal.
Mas quando vim pra São Paulo, o amigo Gabriel Gianordoli me apresentou alguns clássicos do jazz que me fizeram gostar da coisa. "Love Supreme", "Kind of Blue", "Time Out" e "She was to good to me" entram nessa conta. "Porgy and Bess" é um disco cantarolável e reúne dois gigantes que quem quer começar a se aventurar no estilo deve conhecer. Bom, era pra ser um top 5, mas resolvi incluir o primeiro solo do Jaco aqui. Deste eu gostei quando ainda era "roqueiro". O cara é pro baixo o que o Hendrix é pra guitarra, então pode agradar quem tem resistência a pianos e raízes blues.
Espero que ajude quem quer conhecer este estilo considerado "chato" e "difícil". Você também pode usar os nomes de discos para parecer cool numa conversa. You choose.
"A Love Supreme" - John Coltrane(1965)
"A Love Supreme" conseguiu ser o único disco de jazz a se tornar meu álbum favorito por um certo tempo. A viagem espiritual do saxofonista Coltrane com seu quarteto genial se resume a 4 faixas: "Acknowledgement"(com uma linha de baixo hipnótica e o coro repetindo "a love supreme" no final), "Resolution", "Pursuance" e "Psalm", essa última uma versão musicada de uma oração registrada por Coltrane no encarte do álbum. Acho que é o som mais espiritual que fizeram, desde a invenção do mantra "om".
"Kind Of Blue" - Miles Davis(1959)
Miles Davis é o maior adversário de Louis Amstrong na briga pelo trono de rei do jazz. O trompetista passeou por diversos estilos, lançou meia dúzia de discos essenciais e se tornou unanimidade com "Kind of Blue", álbum que tem até um livro inteiro dedicado só pra ele. Disco de platina quádrupla, sempre liderando listas de melhores do jazz, a bolacha ficou em 12º lugar na lista pop de "500 melhores álbuns da história" da revista Rolling Stone . A influência da bolachinha modal escapa dos terrenos do jazz e se espalha por rock e música clássica.
"She Was To Good To Me"- Chet Baker(1974)
Um trompete tocando a nota certa a cada segundo, compondo melodias assobiáveis mesmo nos improvisos. Algumas canções orquestradas, algumas cantadas numa voz bossanovista. Um dos caras mais cool do jazz no comando do som. Ouça só o começo com "Autumn Leaves" e "She Was to Good to Me" e tente não se apaixonar.
"Time Out" - The Dave Brubeck Quartet(1959)
Um dos álbums de jazz mais vendidos da história, "Times Out" quebra o ritmo do jazz brincando com ritmos turcos, valsas e swing. Bruebeck era da turma do jazz branco da costa oeste - assim como Chet Baker - e sua composições eram mais aceitas que o bebop ácido da costa leste. "Take Five"(que era pra ser só um solo de bateria de Joe Morello) entrou nas paradas da Billboard e é citado como influência até de bandas de rock como "Os Mutantes".
"Porgy and Bess" - Louis Amstrong e Ella Fitzgerald(1957)
"Porgy and Bess" é a versão jazz mais famosa da ópera de Geroge Gershwin e reúne dois dos maiores nomes do estilo: o carismático e genial Louis Amstrong e a diva Ella Fitzgerald. É um bom começo para quem não tem saco para som instrumental e ainda incluí o clássico "Summertime".
"Jaco Pastorius" - Jaco Pastorius(1976)
Mesmo que não consiga a unanimidade de outros figurões dessa listinha, o primeiro disco solo de Jaco Pastorius é bem popular entre os fãs de jazz e seu som costuma agradar quem está mais acostumado com rock 'n' roll. Contando com Herbie Hancock nos teclados e Wayne Shorter no sax soprano, as 9 faixas incluem sons mais funks, uma faixa com vocais e a genialidade que levaria Jaco ao posto de maior baixista da história.
Se ainda assim você achar jazz um saco, se liga nos nossos posts de punk rock