Fotos de Eloisa G

Era uma ruela qualquer, numa cidadezinha despretensiosa qualquer, onde estávamos quando eu pedi pra ele parar o carro. Sentia vontade de caminhar ao lado dele ao menos uma vez que fosse. Nunca havíamos caminhado juntos, lado-a-lado como um casalzinho de namorados pois sempre que nos víamos estávamos caminhando em direções opostas, ou sempre fingiamos estar. Cruzavamos, trombavamos... Nunca numa sintonia simples de simplesmente caminhar... Juntos. Quando despíamos nosso orgulho e desabotoávamos nossa censura, não havia tempo para caminhada... Não havia caminho, nem havia tempo. O sol poderia ir e voltar quantas vezes quissese que nós continuaríamos a olhar um ao outro incansavelmente como se fosse uma primeira troca de olhar num ínfimo instante de desejo. Os beijos eram sôfregos e os abraços desesperados, as pernas, tantas vezes bambas eram fortes e firmes, e o corpo se tornava um obstáculo entre duas almas querendo se fundir, enquanto o coração latejava, dilacerando o futuro num misto explosivo de dor e felicidade!
Ah! Como eu posso escrever sobre duas almas querendo se fundir, se na verdade era só a minha iludida que tentava me abandonar achando que teria para onde ir. Não teria, não havia nele espaço para nada além de seu egocentrismo, não havia nele espaço para mim, não havia nele espaço para meu amor, não havia nele espaço para amar.
Eu olhava para as casas daquela maldita ruazinha e tentava imaginar quem morava nelas, quem as havia construído e com que intenção... E tentava imaginar se aquelas pessoas, juntas sob o mesmo teto, eram ou algum dia foram tão felizes quanto eu era naquele momento, debaixo de teto algum.
Eloisa G. um dia aprendeu que cada um dá o que tem no coração e cada um recebe com o coração que tem.