29.11.09

Três - Ana Alice

O tempo que lhe cabe
Pra fazer
Dois
É o mesmo de correr o risco
de ser
um.

E todo
Em parte
Tripartido
Pelo ir
Vir
E encontrar.

Mas se não der
Azar.

Ana Alice Gallo nasceu em Ribeirão Preto, vive em São Paulo e é canhota, além de escrever poeminhas bacanas, é baterista e jornalista. Evita o estresse com doses de zen drugs e toca nas bandas Milhouse e Liga das Senhoras Católicas. Leia mais textos dela no brog Credencial Tosca.


Amor nosso de cada dia - Bárbara dos Anjos

O amor que mora na casa do lado está morrendo.
Romântica que sou, detesto ver um amor morrer.
Fico nostálgica pelos outros.
Triste pelo vazio que vai ficar.
O vazio de risadas, danças e de brilho nos olhares.
Fico temerosa pelo tempo em que a tristeza pode morar ali, tão pertinho.
E não quero pensar nem por um momento que amor da minha casa pode acabar.
Ele é tão lindo, tão puro, tão tudo-aquilo-que-eu-sempre-sonhei. Tão amor.
Mas logo escuto sorrisos na casa ao lado.
Vejo flores renascerem.
Escuto novas músicas para se dançar.
E percebo: toda vez que um amor morre nascem pelo menos mais dois no seu lugar.
É disso que amor vive.
De se dividir. E de se multiplicar.
Até bater de novo (e pra sempre) em todas as casas da vizinhança.

Bárbara dos Anjos é jornalista, gaúcha e libriana. Acha que está saindo de um bloqueio criativo. Mas como boa libriana está meio insegura. O que você acha?

Desejo - Cecilia Di Giacomo


Cecilia Di Giacomo tem cabelo vermelho, é socióloga, pinta, mas também escreve poesia e esculpe.

=>Mais quadros da Cecilia aqui

Tão complicada quanto a mentira e o amor - Eloisa G

Fotos de Eloisa G



Era uma ruela qualquer, numa cidadezinha despretensiosa qualquer, onde estávamos quando eu pedi pra ele parar o carro. Sentia vontade de caminhar ao lado dele ao menos uma vez que fosse. Nunca havíamos caminhado juntos, lado-a-lado como um casalzinho de namorados pois sempre que nos víamos estávamos caminhando em direções opostas, ou sempre fingiamos estar. Cruzavamos, trombavamos... Nunca numa sintonia simples de simplesmente caminhar... Juntos. Quando despíamos nosso orgulho e desabotoávamos nossa censura, não havia tempo para caminhada... Não havia caminho, nem havia tempo. O sol poderia ir e voltar quantas vezes quissese que nós continuaríamos a olhar um ao outro incansavelmente como se fosse uma primeira troca de olhar num ínfimo instante de desejo. Os beijos eram sôfregos e os abraços desesperados, as pernas, tantas vezes bambas eram fortes e firmes, e o corpo se tornava um obstáculo entre duas almas querendo se fundir, enquanto o coração latejava, dilacerando o futuro num misto explosivo de dor e felicidade!
Ah! Como eu posso escrever sobre duas almas querendo se fundir, se na verdade era só a minha iludida que tentava me abandonar achando que teria para onde ir. Não teria, não havia nele espaço para nada além de seu egocentrismo, não havia nele espaço para mim, não havia nele espaço para meu amor, não havia nele espaço para amar.
Eu olhava para as casas daquela maldita ruazinha e tentava imaginar quem morava nelas, quem as havia construído e com que intenção... E tentava imaginar se aquelas pessoas, juntas sob o mesmo teto, eram ou algum dia foram tão felizes quanto eu era naquele momento, debaixo de teto algum.

Eloisa G. um dia aprendeu que cada um dá o que tem no coração e cada um recebe com o coração que tem.

Antônio Casamenteiro - Fabiane Zambon

Antônio Casamenteiro(Bobagem Assertativa de Passagem II)

No bar
- "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", já dizia Caetano.
- Exato!

No táxi
- O caminho que for mais curto e rápido até minha casa.
- Farei o possível. Mas eu não posso encurtar o caminho. Ele existe assim, do jeito que é. Vou por este aqui, tudo bem?!
- Sim, pode ser. Não... espere! Vai por esse.
- Mas esse é mais longo.
- E não é o mais fácil. Digo quando parar. Se parar.
- Tudo bem...
- Já andou com passageiro assim?!
O taxista sorri.

- Nessa rua?!
- Sim. Pára. Ele mora aqui. O que eu faço?!
- Você vai descer aqui?
- Não sei. Estávamos entre amigos naquele bar. Queria ficar com ele, mas nem disse nada. Agora não sei é tempo.
- Entendi. Você é jovem. Solteira?
- Sim.
- E ele?
- Também.
- Então pode fazer dessas coisas! Peça para dormir aqui quando ele chegar. Não se arrependa, porque o tempo passa rápido.
- A vida que é curta.

- E então, moça?!
- Mais cinco minutos.
- Tudo bem.

- Por que não disse a ele que queria vir?
- Porque tive medo. Opinião dos outros.
- Não precisava. A vida é sua e não dos outros.
- É. Droga de dúvida! Ficou esse nó entalado. Pareço louca. Já teve passageira louca?
O taxista sorri.

- E se ele não vier, moça?!
- Só mais um tempo. Então, vamos embora.
- Tudo bem.

O taxista liga o rádio
Roberto Carlos - De que vale tudo isso?

- Gosta de Roberto Carlos?
- Espera. É ele! Vou lá. Me deseje sorte.
- Vai lá, menina. Boa sorte!

De volta ao táxi
- ...E então?!
- Bota. O caminho que for mais curto e rápido, por favor.
- Você é jovem, simpática, bonita. Não entendo ele, não...
- E maluca. Eu o entendo.
- É nada. Teve coragem de fazer o que sentia.
Disfarçando, ela sorri.

- Não fica triste.
- Ficar triste faz parte disso. Dói, depois passa. Que passe rápido...
- Não fica triste, não. Já amei muito. Casei sete vezes! Agora estou solteiro. Pois quer saber como é um casamento?
- Pois, fale.
- Casamento é assim: começa embarcando tranquilo na Paraíso e sai sufocado na Consolação!
Eles sorriem.

- Qual é o seu nome?
- Antônio! E o seu?
- Maria.
- Maria Aparecida?!
- Não. Maria Elena.
- Nome bonito.
- Que ironia. Você tem o nome de Santo Antônio. Justo o santo casamenteiro.
- Verdade, logo eu. Mas acho que se é assim é para dar conselho por experiência própria. Esquece esse que logo vem outros para você conhecer. E será muito amada, viu?!
- É?!
- Sim. Confie no que falo! Mas não se case por enquanto. Namore daqui, junte dali. Depois para separar é mais fácil.
- Livres assim.
- E assim que é.

- Chegamos! É aqui. O dinheiro.
- Espere! Balas do taxista para adoçar a vida.
- Não, obrigada, Santo Antônio.
- É uma delícia! Leve.
- É, levarei de leve.

*Agradecimos ao Antônio, o casamenteiro-santo-conselheiro-taxista.

Fabiane Zambon é atriz, libriana, designer multimídia e escreve textos zaizers no seu Loading Myself

28.11.09

A Cobra Vai Fumar - Newsgame sobre Segunda Guerra

Mais um newsgame(jogo jornalístico) produzido pela equipe da Superinteressante online. Dessa vez você encarna um pracinha brasileiro tentando tomar Monte Castelo na Segunda Guerra Mundial. O game segue o estilo "point and click" de clássicos como Full Throttle.

Criação e Roteiro: Bruno Xavier & Fred Di Giacomo
Programação: Douglas Kawazu
Reportagem: Emiliano Urbim e Érica Georgino
Ilustração: Alisson Lima e André Maciel

O jogo começou em cima de uma reportagem de capa da Super sobre Segunda Guerra Mundial e demorou mais de 3 meses para ficar pronto.

-Mais jogos

Onipresença SMS -Felipe Van Deursen

Daquilo que chamamos indecisão dos diabos de querer estar em todos os lugares, ouvir todas as músicas, esvaziar todos os copos e ter todos os amigos na agenda do celular - mesmo que para isso desembolsemos R$0,33 por mensagem instantânea no plano standard de alguma operadora


Começou aí? Sepultura mais ou menos aqui...
Cheguei agora. Móveis meia boca. Estrutura idem. Gustavo bêbado.
Hahahahaha! Defotnes brutal, sepultura lixo...Derek should aposentate
Aqui máximo park suspendendo. E o mateus pode mandar bem.
Suspendendo?! Mateus é o novo lider!
Estamos molhados depois do splash. chapados. primal scream pra beijar o céu.
Dave navarro de botox, perry farrell ney matogrosso david bowie. Chorei
Bicha
Acho que aqui está mais legal e vc queria estar conosco
Hahahahaha! Agora vem fnm, bicho...Sem condições
Primal scream brutal. Estou louco e beijando. Mara. Vento.
Chuva da porra, me fodi
Aqui tá lindo. Mas a chuva deve chegar pro stooges
Chuva torrencial. Cobriram o palco. Show vai atrasar
Sonic com chuva. Encontramos gustavo. Bêbados
Cara., sem palavras aqui
Raw power, de surpresa. Chupa.
porracaralho!!
Subiram 150 caras no palco aí? Aqui é carisma, maluco!
Ah, tenho nem como explicar aqui... Acabou, chorei...
Mike patton fala portugues
Iggy fala paulista e tem controle sobre 241 Músculos Flacidos.
Hahahahahahahahahahahaha! Ganhou, ganhou...

Inspirado em 23 torpedos trocados entre os festivais Planeta Terra e Marquinaria por Gabriel Gianordoli e Felipe Van Deursen, que assina em seus projetos anárquicos como Clorofila.

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