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24.4.10

Mulheres - Eloisa G

originalmente publicado no Clube de Ideias


Eu grito e ele diz
Que tal um pouquinho de dor hoje?
Rio e respondo
Que tal um chute nas bolas, meu bem?

É só pra variar, um misto entre dor e tesão.
Por quê isso? Só pra me ouvir gritar?
Também.

O que são mulheres pra você?
Porque você não me pergunta isso numa hora mais oportuna?
Essa é a hora oportuna, homem não mente prestes a gozar.
Eu grito.
Ele goza.

Te machuquei?
Sim, porque essa história de dor hoje?
Só um pouquinho...só pra variar...

Agora é uma hora uma hora oportuna pra você me perguntar.
Enquanto ele continua lá pra que eu não escorra...
O que são as mulheres pra você?

Elas são como eu.
Não, não são.
Como não?

Mulheres são como vinhos
Feitas para serem degustadas.
Eu degusto!
Graças a Deus que nunca te pediram opinião sobre vinhos então.

Mulher é pra se sentir
Deixar que ela role por todos os pólos da língua
A ponta, doce
O meio, salgado
Nas laterais o azedo
E no fundo o amargo

São textura, consistência
cor, sabor e aroma.

Você jamais conhecerá uma mulher
Elas são formadas por peculiaridades
Só isso as diferencia entre si
O buraco, querido, é o mesmo em todas
Mas o segredo fica mais em baixo, mais em cima, ao redor
No que ela geme, quando ela grita, nas coisas que cala, nos movimentos que induz
Uma mulher se aprende, até no jeito de andar, existe uma lição.

Porra! Eu tenho meu jeito de transar você.
E você fica ai querendo me ensinar
Não quero te ensinar, mas acho que você desfrutaria mais.

Eu desfruto assim, por um acaso foi ruim?
O fato de não ser ruim não significa que não poderia ser melhor.
Você tá reclamando?
Não. Foi ótimo, só não entendi essa tua de dor agora.
Deu vontade de te judiar.
ME JUDIAR?
É...só um pouquinho.

E eu degusto sim. Ou você acha que eu me contorço pra não gozar só de otário?
Não é sobre gozar, na hora de gozar tem mais que jorrar mesmo.
Então o que é ? Preliminar?
Sim, pode-se dizer assim, se pra você tudo que importa é meter.
Eu não gosto de preliminares.
Percebe-se, você nem toca meus seios.
Como não?
Não.

Eu não espero você molhar, gosto assim.
Aham.
É ruim?
Não.

E uma série de ahans se segue pelo resto da noite, engraçado que é justo quando você desiste de falar, que eles querem te ouvir.
Muito engraçada essa combinação LITERAL entre homem e palhaço.
Embora queridos, só pra constar, não é lenda não, elas realmente preferem os carecas!

Eloisa G gosta de ser branquela, tem uma combinação de castanhos nada especial e está sempre a flor da pele. Estudante nas horas vagas, filófosa em tempo integral, possui um orgulho nada original de ser uma provinciana que vive na loucura cosmopolitana da selva de pedra e sobrevive. Odeia pessoas, adora a praça da Sé e sonha em ser invisível.



Veja também:
-Eloisa G fez as fotos pro conto "Mulheres: Anjas Tortas"
-Luz Del Fuego: uma mulher de atitude
-Vai uma poesia aí?

31.12.09

Tão complicada quanto a mentira e o amor - Eloisa G

Fotos de Eloisa G



Era uma ruela qualquer, numa cidadezinha despretensiosa qualquer, onde estávamos quando eu pedi pra ele parar o carro. Sentia vontade de caminhar ao lado dele ao menos uma vez que fosse. Nunca havíamos caminhado juntos, lado-a-lado como um casalzinho de namorados pois sempre que nos víamos estávamos caminhando em direções opostas, ou sempre fingiamos estar. Cruzavamos, trombavamos... Nunca numa sintonia simples de simplesmente caminhar... Juntos. Quando despíamos nosso orgulho e desabotoávamos nossa censura, não havia tempo para caminhada... Não havia caminho, nem havia tempo. O sol poderia ir e voltar quantas vezes quissese que nós continuaríamos a olhar um ao outro incansavelmente como se fosse uma primeira troca de olhar num ínfimo instante de desejo. Os beijos eram sôfregos e os abraços desesperados, as pernas, tantas vezes bambas eram fortes e firmes, e o corpo se tornava um obstáculo entre duas almas querendo se fundir, enquanto o coração latejava, dilacerando o futuro num misto explosivo de dor e felicidade!
Ah! Como eu posso escrever sobre duas almas querendo se fundir, se na verdade era só a minha iludida que tentava me abandonar achando que teria para onde ir. Não teria, não havia nele espaço para nada além de seu egocentrismo, não havia nele espaço para mim, não havia nele espaço para meu amor, não havia nele espaço para amar.
Eu olhava para as casas daquela maldita ruazinha e tentava imaginar quem morava nelas, quem as havia construído e com que intenção... E tentava imaginar se aquelas pessoas, juntas sob o mesmo teto, eram ou algum dia foram tão felizes quanto eu era naquele momento, debaixo de teto algum.

Eloisa G. um dia aprendeu que cada um dá o que tem no coração e cada um recebe com o coração que tem.


=>Faça como ela e mande seus textos para clube.ideias@gmail.com

29.11.09

Tão complicada quanto a mentira e o amor - Eloisa G

Fotos de Eloisa G



Era uma ruela qualquer, numa cidadezinha despretensiosa qualquer, onde estávamos quando eu pedi pra ele parar o carro. Sentia vontade de caminhar ao lado dele ao menos uma vez que fosse. Nunca havíamos caminhado juntos, lado-a-lado como um casalzinho de namorados pois sempre que nos víamos estávamos caminhando em direções opostas, ou sempre fingiamos estar. Cruzavamos, trombavamos... Nunca numa sintonia simples de simplesmente caminhar... Juntos. Quando despíamos nosso orgulho e desabotoávamos nossa censura, não havia tempo para caminhada... Não havia caminho, nem havia tempo. O sol poderia ir e voltar quantas vezes quissese que nós continuaríamos a olhar um ao outro incansavelmente como se fosse uma primeira troca de olhar num ínfimo instante de desejo. Os beijos eram sôfregos e os abraços desesperados, as pernas, tantas vezes bambas eram fortes e firmes, e o corpo se tornava um obstáculo entre duas almas querendo se fundir, enquanto o coração latejava, dilacerando o futuro num misto explosivo de dor e felicidade!
Ah! Como eu posso escrever sobre duas almas querendo se fundir, se na verdade era só a minha iludida que tentava me abandonar achando que teria para onde ir. Não teria, não havia nele espaço para nada além de seu egocentrismo, não havia nele espaço para mim, não havia nele espaço para meu amor, não havia nele espaço para amar.
Eu olhava para as casas daquela maldita ruazinha e tentava imaginar quem morava nelas, quem as havia construído e com que intenção... E tentava imaginar se aquelas pessoas, juntas sob o mesmo teto, eram ou algum dia foram tão felizes quanto eu era naquele momento, debaixo de teto algum.

Eloisa G. um dia aprendeu que cada um dá o que tem no coração e cada um recebe com o coração que tem.

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