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21.6.10

Spleen Maldito(ou parnaso deprimido)

À Baudelaire e Rimbaud


Ó, spleen maldito
Terrível mal-estar erudito
Sensação rústica que angustia
Me acorda à noite e escurece o dia

Ó, spleen maldito
Depressão cinza que evito
Tristeza vil que quebra a sintonia
Suja meus sonhos e minha poesia

Mas quando purgarem pústulas minhas
Internas feridas dores que tinha
Serei livre dessa gélida prisão

Esquentará colorido meu coração
Serei novamente pura criança
Que, ao invés de passos, faz contradança

Veja também:
-Poesias de Augusto dos Anjos
-"Uma  visão memorável", de William Blake

27.5.10

Free Jazz com palavras - Jademir Rocha + Frico

Sim, quinta-feira é a ditadura da arte. Quem não gostar será fuzilado por um pelotão de aquarelas!

Jademir Rocha ganha a vida cuidando de dentes e obturações, mas gosta mesmo - há anos - de pintar e tocar seu sax. Entre desenhos de jazz com grafite, aquarelas e pequenos artesanatos, ele vive em São Paulo em busca de novos discos para sua coleção.

Inspirado pela série de desenhos de jazz de Jademir, Frico pediu alguns para ilustrar seu livro ainda imaginário chamado "Bebop Beat", composto de poemas feitos no calor do momento, seguindo seu fluxo de consciência ao som de Miles Davis e John Coltrane. O primeiro resultado da parceria está aí:


Free Jazz com palavras
Segura só esse solo, sussurrou Ulysses
E se pôs a tocar uma odisséia sonora
Minha mãezinha do céu, Homero é um maestro com as palavras!
Elas voam na estratosfera azul do Harlem, enquanto Têlemaco repete o riff
E Penélope costura notas num bordado de arpejos e beijos
O Cíclope pede um trago a detona o contrabaixo
Eu escuto João Donato, e Posídon é a pedra no meu sapato
Gosto das palavras assim, free jazz e meu fluxo de consciência


19.5.10

Insônia

-Rabiscos poéticos

















Enquanto dormem os depressivos e pouco amados
Nós - os neuróticos - ficamos acordados
Sem conseguir nem mesmo as pálpebras cerrar
O denso ar no labirinto eterno a ressoar
Contando carnerinhos que atravessam as molduras dos sonhos
Rumo ao terreno onírico dos pensamentos medonhos

"Ela me ama de verdade?"
"Deus de nós tem piedade?"
"Serei eu feliz na vida?"
"Sou um bufão ou suicida?"
"Qual é a origem dessas dúvidas?"
"São lágrimas a desbotar minha íris úmida?"

Uma ida ao banheiro
Uma oração
Vontade de comer
Mudar de posição

E a madrugadora aurora devora a escuridão
Antes que Morpheu cumpra sua missão.

Frico odeia ter insônia, mas dorme tarde por livre e espontânea vontade todos os dias, porque é o único jeito de ter tempo para escrever.

Veja também:
-O Cântico dos Bantos
-Sabe qual é meu medo?

5.5.10

Balada do cão morto

-A parte mais sincera deste blog

















Tive um cachorro
Pequeno e bem dotado
Seu nome era Asterix
Morreu enfartado
Demorei mais de um mês
Pra chorar sua morte
Se foi meu cãozinho
E com ele minha sorte

Uma homenagem de Frico ao seu cachorro Asterix, in "Menino Uterino e outros Poemas de infância"

Veja também:

-Haikais animais
-Abuelita - uma homenagem pra vó

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