-Trailers de cinema
Eu não costumo fazer resenhas sobre filmes dos quais não gosto. Mas Apocalypto(2006) de Mel Gibson realmente me irritou. Esqueça as atuações divertidas em Máquina Mortífera e Mad Max, Gibson, no papel de diretor, é um pé no saco.
Tudo começou com o super polêmico “A Paixão de Cristo”(2004, terceiro filme de Gibson como diretor). Não consegui assistir inteiro de tão monótono que era. Uma sequência interminável de espancamento e tortura exercida por judeus caricatos. Mas rapaz, que insensibilidade, espancamento monótono? É horrível dizer isso, mas a mão pesada de Gibson faz do martírio de Cristo algo tão sonolento como uma sessão do Senado brasileiro.
E lá vamos nós de novo com a visão de mundo caricatural e exótica de Gibson chegando às telas mais uma vez. Eu estava no ônibus, sete horas de viagem rumo ao sertão que é Penápolis, quando as imagens de um grupo de índios caçando apareceram na tela. Eles são uma tribo que vive no entorno do império Maia. “Caçaram com seus pais naquela floresta e o farão com os filhos de seus filhos”. (Zzzzzz) Cenas cotidianas e pastelão dão o tom de “vida feliz” na aldeia. Um dos índios, estéril, é sacaneado pelos colegas e pela sogra. Até que os malvados Maias atacam a aldeia. Parece o último filme do Rambo. As mulheres são curradas, as crianças arremessadas, os homens escravizados, a bucólica aldeia é queimada. Os Maias(posteriormente massacrados pelos espanhóis) não eram tão inocentes como nos ensinou a História. Ah, entendi, assim como os judeus de “A Paixão de Cristo”, né, Mr Gibson?
Seguimos então com os escravos sendo humilhados até chegarem à excêntrica capital do império. Indiana Jones não seria tão exagerado. É um reino grotesco. Um aleijado rouba frutas, um anãozinho saúda os sacerdotes, crianças pestilentas rogam pragas, mulheres com dentes podres, índios fanáticos, um homem trabalha até vomitar sangue. O império está em decadência e a única solução é o bárbaro sacrifício humano dos prisioneiros.(Ou o extermínio promovido pelos espanhóis, que no filme chegam altivos, em seus imponentes barcos, com um padre ao seu lado, é claro.) E dá-lhe sangue, cabeças decapitadas e corações arrancados. Uma civilização selvagem. O herói tem uma chance de escapar e corre ferido para a floresta. Voltamos, então, para o primeiro filme de Rambo: “Programado para matar”. Meia dúzia de soldados estão atrás do bom selvagem. Ele está em seu habitat. Foi provocado, apesar de honrado terá que matar. Seus meios: armadilhas e estratégias de guerrilha que vão derrubando um a um seus perseguidores.
No final, como Peri e Ceci, como Adão e Eva, nosso bravo herói sobrevive ao “Apocalypto” junto à mulher e sua prole.
¬ _Devemos conhecer os espanhóis, amoreco?
_ Não, vamos para a floresta, recomeçar a nossa vida.
Sim, quem sabe algum dia seus descendentes apareçam nas florestas da América Latina como um Noé do século XXI pós-dilúvio. Pobre do espectador que não poderá recomeçar a sua vida, eliminando esse filme de sua memória.
-"This is it" documenta ensaios para última turnê de Michael Jackson
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22.11.09
Apocalypto, Mel Gibson
Cuspido por
Di Giacomo
às
08:34
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